Londrina - Um estudo encomendado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pelo portal Meu Bolso Feliz mostrou que em mais de 51% dos casos a compra dos presentes das crianças no Natal é feita exclusivamente pelos pais. Entretanto, nos outros 49% dos casos, os filhos possuem alguma influência sobre a compra: 35% dos pais entrevistados disseram que a decisão é feita em conjunto com as crianças e 14% confessaram que são os pequenos quem escolhem o presente.

O dado mais grave, entretanto, é que, apesar de mais da metade dos pais serem responsáveis pela escolha do presente, a mesma quantidade - 51% - admitiu se comprometer a comprar o presente desejado em outra data, caso o adquirido não agrade.

A afirmação é considerada alarmante por economistas entrevistados. "Este é um comportamento perigoso. Quando o pai faz isso, está ensinando para a criança que, toda vez que ela ficar frustrada, vai ganhar uma recompensa, e na vida não é assim", afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. "Se a criança está ganhando um presente, deveria estar agradecida por aquilo que está ganhando", continua.

"No mercado de trabalho, um indivíduo vai ouvir muitos nãos na vida, e é importante ouvir não desde cedo", comenta ainda o coordenador do Departamento de Ciências Econômicas da PUC-PR, Carlos Magno. "A criança tem de ter noção que tudo tem o seu preço, do esforço que os pais têm de fazer para comprar o presente." Segundo ele, a educação financeira é muito prejudicada pelo apelo da mídia, que estimula os pequenos a consumirem desde cedo.

Para evitar situações como essas, é interessante que o filho participe da decisão de compra do presente de Natal, mas nunca tome a decisão sozinho. "Tem de ser uma decisão conjunta. E a situação pode ser usada para educar o filho financeiramente", complementa Marcela. "(Caso o presente que o filho escolheu seja caro) O pai deve explicar que o presente é muito caro, que está fora do orçamento da família, que o filho não pode ter tudo o que quer."

"Os pais devem deixar claro o quanto as crianças podem e devem gastar naquele presente considerando o planejamento que foi feito para aquela ocasião. Aponte quantas possibilidades existem, mas terá de ser feita uma escolha", orienta ainda Maria Eduvirge Marandola, professora do Centro Universitário Filadélfia (UniFil) e coordenadora do projeto de extensão "A Saúde Financeira da Família".
Para facilitar o processo, o pai pode sugerir que a criança faça uma lista com mais de uma opção de presentes. Dentro dessa lista, além de escolher aquele que cabe no orçamento, o pai deve escolher o que é adequado para a idade da criança. "Pois além de se prejudicar financeiramente, os pais correm o risco de dar um presente inadequado à criança", alerta a economista-chefe do SPC Brasil.

Apesar de o Natal ser uma oportunidade de ensinar aos filhos o valor do presente, Marcela ressalta que a educação financeira deve ser introduzida no dia a dia da família. Desta forma, quando o Natal chegar, lidar com o assunto fica mais fácil. Outra recomendação da economista é não usar o presente como uma recompensa por algo que seja uma obrigação do filho, como passar de ano. "A criança tem que entender que é importante estudar, e não que precisa estudar para ganhar presente. Senão, o dia que o filho passar de ano e o pai estiver desempregado, o que ele vai fazer?"

Também não se deve nunca esquecer que, para educar os filhos, os pais precisam dar o exemplo em casa. "Os pais são os primeiros educadores e cabe a eles essa tarefa fundamental de ensinar comportamento financeiro aos filhos, mas eles precisam dar exemplos; ter conhecimento para saber educar e devem sempre buscar informações sobre como planejar para não se endividar", finaliza a professora Maria Eduvirges.

mockup