Filha diz que Prestes reconhecia Yuri
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sábado, 28 de dezembro de 1996
Roberta Jansen e Adriana Ferreira Agência Estado 
RIO - Filha do líder comunista Luis Carlos Prestes com Olga Benário, a historiadora Anita Leocádia admitiu ontem que o pai sempre reconheceu a paternidade de Yuri Alexandre Ribeiro, de 32 anos - que desde 1992 tenta provar que é filho de Prestes. Com a declaração de Anita, fica praticamente certo que a sentença final do processo de paternidade, que corre na 15ª Vara de Família do Rio, favorecerá Yuri, uma vez que ninguém contesta a filiação. A sentença deverá sair até março do ano que vem.
Por determinação da juíza Conceição Musnier, da 15ª Vara de Família do Rio, Anita e Yuri deveriam ser submetidos a exame de DNA no último dia 18, mas a historiadora não compareceu. Anita explicou ontem que na comunicação que recebeu da juíza constava uma cláusula segundo a qual, caso o exame de DNA não fosse apresentado em 15 dias, estaria subentendido que ela não tinha nada contra o reconhecimento.
Ora, se no caso de eu não me pronunciar estaria subentendido que não tinha nada contra, para que vou me deslocar para fazer um exame?, questionou Anita. Sou uma pessoa muito ocupada. Anita afirmou ainda que se tivesse algo contra o reconhecimento ou provas que demonstrassem que Yuri mente, teria comparecido às audiências. Mas meu pai o reconhecia como filho, eu não tenho que provar nem desprovar nada, disse. Estão colocando chifre em cabeça de cavalo.
Anita admite, entretanto, que as relações entre os dois lados da família estão rompidas há vários anos. Eles romperam conosco, o que causava grande tristeza a meu pai.
Yuri Alexandre conta uma história diferente. Segundo ele, não foi surpresa nenhuma que Anita tenha se recusado a fazer o exame de DNA porque, em sua avaliação, ela sempre manteve atitude de distância dos irmãos. Anita nunca estabeleceu vínculos com qualquer membro da família; só procurava o meu pai. O também historiador lembra que a irmã sempre se colocou em uma posição de protesto.
Yuri Alexandre alega ser o sexto filho de Prestes com Maria Ribeiro e garante que só não foi registrado pelo pai porque nasceu durante um período em que este vivia na clandestinidade. Diz ainda que até 1979 conviveu com pai no exílio na União Soviética. Naquele país, o rapaz estudou e casou, retornando ao Brasil em 1992, após a morte de Prestes.


