O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu conceder autonomia aos municípios para decidir o tempo máximo de espera nas filas dos bancos. Algumas cidades, como já possuem leis que limitam o tempo de atendimento nos estabelecimentos, mas a fiscalização é difícil.
''Enfrento filas intermináveis todos os dias nos bancos. Perco até 1h15 dependendo do dia'', afirma o assistente administrativo David Gransoti, que faz serviços bancários para a imobiliária em que trabalha no centro de Londrina. ''Sei que existe lei para impedir que isso ocorra, mas até hoje não vi ela ser cumprida'', complementa.
Os argumentos dele ganham peso quando se tem a informação de que a lei municipal de Londrina, que regulamenta a permanência do cliente numa fila de banco entre 15 a 30 minutos, é de 1998 mas nunca foi cumprida. O Procon alega dificuldade em comprovar o tempo que o cidadão permanece na fila porque não existe nada que registre sua entrada na agência.
A legislação atual estabelece até 15 minutos na fila em dias normais e, até 30 minutos, em véspera de feriados e após o feriados. Também determina tempo máximo de 30 minutos em data de pagamentos a funcionários municipais, estaduais e federais realizados em alguns bancos.
Isso não é tudo. No final do mês passado, a legislação ganhou novas alterações que vão permitir ao Procon e Secretaria Municipal de Fazenda a fiscalização, desde que as agências bancárias se adequem. Desde o dia 23 de junho, está em vigor as novas normas que além de estabelecer o horário de 15 a 30 minutos na fila, determina que os bancos tenham em seu interior cadeiras para acomodar os clientes e emitam a senha com o horário de entrada na agência. Os estabelecimentos que não cumprirem podem ser advertidos e sofrer multas que variam de 200 a 800 Ufirs, podendo ainda ter a suspensão do alvará.
De acordo com o coordenador do Procon, Gerson da Silva, enquanto os bancos não se adequarem as novas normas, não há como provar a permanência do cidadão no interior da agência. ''Muita gente liga para nós, mas não formaliza esse tipo de queixa porque não tem provas. Agora, com a instalção de máquinas que vão emitir senhas com o horrário ficará mais fácil provar'', comentou Silva.
A gerente de uma imobiliária, Valéria Maria Nunves, disse que nunca foi ao Procon, porque sabe que o problema não será resolvido. ''Já reclamei para o gerente (do banco) mas também não adiantou. Essas filas são um terror, você perde boa parte de seu tempo com elas'', comentou, acrescentando que até os caixas eletrônicos estão com filas ultimamente.
O consultor em logística, Francisco Júnior, disse que atualmente tem usado mais os caixas eletrônicos para evitar filas nos caixas. ''Mesmo assim, já perdi muito tempo em filas. Até mais de uma hora quando utilizava os caixas internos'', conta. Segundo ele, um banco privado costuma dar senha com horário quando faltam dez minutos para fechar. ''Aí eles têm pressa porque estão no horário deles'', comentou.

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