Curitiba- A fila de caminhões para desembarcar grãos, especialmente soja, no Porto de Paranaguá, voltou a se formar ontem na BR-277 na estrada que liga Curitiba a Paranaguá. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal, a fila atingiu 13 quilômetros e chegou ao Km 15. Caso ocorram chuvas, a fila pode aumentar ainda mais, isso porque o embarque de soja é suspenso quando está chovendo.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) informou que uma fila de 400 caminhões se formou porque as cargas não estavam negociadas e não havia espaço para descarregar a carga nos terminais privados, descumprindo uma determinação da administração do porto. O superintendente do porto, Eduardo Requião, disse que a fila se formou porque ''operadores portuários, plantadores, cooperativas e produtores de Mato Grosso e Goiás, diante de superssafra, estão tentando forçar o Porto de Paranaguá a abrir o silão para a soja transgênica''. A previsão é que as filas acabem até amanhã.
Requião afirmou que os caminhões estão sendo usados como silos ambulantes por empresas que estariam tentando desarticular a logística portuária. Segundo ele, 66% dos caminhões parados na fila são paranaenses. ''Podemos atender até 3 mil caminhões por dia e neste feriado 4.200 desceram para Paranaguá. O que ocorre agora é uma tentativa de boicote, pressão de algumas empresas para que o porto permita a estocagem de soja transgênica no silo público. Os caminhoneiros são vítimas deste jogo perverso'', disse. Ele destacou que os operadores portuários responsáveis pela formação da fila serão punidos, podendo ficar de cinco a 180 dias úteis fora da operação.
Segundo Eduardo Requião, a capacidade estática de todos os silos que operam em Paranaguá é de mais de um milhão de toneladas. O silo público sozinho tem capacidade para armazenar 100 mil toneladas, o que representa 10% da capacidade total do porto. ''Se permitirmos a colocação de soja transgênica no silo público, vamos prejudicar os produtores paranaenses de soja tradicional'', disse.
Segundo a Appa, até às 17 horas de ontem, 868 caminhões estavam parados no Pátio de Triagem, que tem capacidade para 1.200 carretas. A chuva impediu o embarque de 96.600 toneladas de soja nos dois navios atracados no cais do porto. O mau tempo começou no sábado e acumulou quase 24 horas de chuvas sequenciais. Porém, as chuvas não impedem que os caminhões descarreguem as cargas nos armazéns.
Ainda de acordo com a Appa, dois navios com capacidade para receber 79.800 toneladas de soja estavam ao largo ontem, aguardando para atracar, além de outras três embarcações preparadas para receber juntas, mais de 100 mil toneladas de soja e farelo de soja. Até amanhã, são esperados três navios para carregar 140 mil toneladas destes dois produtos.

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