Curitiba - A fila de caminhões na BR-277 com destino ao Porto de Paranaguá voltou ao cenário da rodovia. É a quarta vez neste ano que é registrada a ocorrência de filas. O movimento de caminhões começou no final da tarde do último domingo e encerrou por volta das 23 horas do mesmo dia. Já no início da madrugada de ontem, a fila recomeçou e atingiu um pico de 15 quilômetros de extensão às 9 horas de ontem.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) justificou novamente que os caminhões estão sendo encaminhados ao porto sem as cargas estarem nominadas, ou seja, sem serem vendidas antes de chegarem no porto. Ainda de acordo com a Appa, está ocorrendo negociação na fila e no Pátio de Triagem, o que atrasa todo o processo. A administração portuária informou que, os caminhões que não estiverem com a carga negociada antes de chegarem a Paranaguá serão punidos com a proibição de operarem num prazo de cinco a 180 dias úteis. A sanção já foi aplicada para um operador portuário que recorreu da decisão. Ainda não há o parecer final da Appa sobre este caso.
A Appa esclareceu ainda que o porto e o Pátio de Triagem estão estruturados para receber os caminhões, desde que sigam a norma de saírem da origem com a carga vendida. Ontem à tarde, dois navios estavam atracados no porto e um terceiro esperava ao largo. Um deles seria carregado com milho e soja num total de 48.354 toneladas tendo como origem a Itália e como destino Portugal. O segundo seria carregado com 60 mil toneladas de soja, veio de Vitória (ES) e iria para a Coréia. O terceiro navio que estava ao largo seria carregado com 60,5 mil toneladas de soja tinha como origem Santos (SP) e iria para a Índia.
O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves, disse que as filas estão ocorrendo porque a Appa não permite o depósito de soja transgênica no silo público, conhecido como silão. Segundo ele, a maior parte da soja que o porto está recebendo é geneticamente modificada. Chaves lembrou ainda que o depósito de soja transgênica no silão já foi aprovado pelo Conselho de Autoridade Portuária (CAP). ''Se o porto permitisse depositar soja transgênica no silo público, não teria fila'', disse.
Segundo informações da Appa, de janeiro a março deste ano, 67.765 caminhões passaram pelo Pátio de Triagem com grãos e farelo, número 36,87% superior ao mesmo período do ano passado. Estas cargas passam pela classificação da Claspar para realizar a avaliação de umidade, de transgenia, entre outros quesitos e depois seguem para os armazéns.
Deste total de caminhões, 48% estavam carregados com soja (sendo 50% do Paraná), 28% com farelo de soja (57% do total é do Estado) e 24% com milho (70% do total é do Paraná). O aumento no número de caminhões também está ligado a produção de grãos prevista para este ano no Paraná que será 30% maior.

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