Diminuiu ontem de 120 para 90 quilômetros a fila de caminhoneiros que vão desembarcar grãos no Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado. A redução de veículos no acostamento da BR-277 (que liga a Capital ao porto) aconteceu em função de uma ação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal, Administração do Porto de Paranaguá e representantes de terminais.
Porém, esse trabalho foi confuso. Os caminhoneiros não sabiam direito como ia funcionar o processo. E a polícia teve agir para evitar que algumas pessoas furassem a fila. Já os terminais não comunicavam corretamente para policiais, quantos veículos poderiam descer para abastecer os silos.
Pelo acordo, os caminhoneiros de terminais privados ou de cooperativas, fora do porto, não precisavam ficar na fila para desembarcar. Pela manhã, a Polícia Rodoviária liberou alguns caminhões, mas a falta de informação fez com que alguns motoristas também saíssem da fila e tentassem desembarcar. Por causa disso, alguns caminhoneiros foram obrigados a voltar para o fim da fila e um motorista foi detido, mas liberado em seguida.
Enquanto a polícia detinha quem tentava furar fila, outros caminhoneiros que teriam permissão para descer eram barrados, porque havia desencontros nas informações entre os terminais privados com a Polícia Rodoviária. ‘‘Vai ser preciso afinar o processo’’, disse o presidente dos Sincadato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná, Diumar Bueno. Hoje, uma nova reunião está marcada às 10 horas na Secretaria dos Transportes.
‘‘É preciso reavaliar a diária e a velocidade de carregamento’’, disse o caminhoneiro Jeferson Tomadon. Na média, cada motorista ganha, após 24 horas de espera, R$ 0,25 centavos por tonelagem/hora. ‘‘Mas com tantos dias de espera, a genta acaba gastando esse dinheiro’’, disse o Hamilton Padilha.
Além do problema da tarifa, a falta de segurança é outro medo dos caminhoneiros. ‘‘A malandragem está presente em todas as partes’’, disse Edno Oliveira. Ontem, policiais militares faziam ronda nas regiões onde estavam os caminhoneiros.
Outra queixa dos caminhoneiros é a falta de banheiros. ‘‘A gente toma banho na estrada e acaba tendo que usar o acostamento de banheiro’’, queixou-se Edson Galvão. Todo o acostamento da BR-277 está cheio de resto de comida, grãos de soja e milho, amontoados com lixo.

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