Fila da esperança
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quarta-feira, 01 de junho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Uma fila gigantesca, formada por milhares de pessoas desempregadas, que disputavam uma das 350 vagas oferecidas pela rede de supermercados Festval, chamou atenção de quem circulava ontem pela Rua Mateus Leme, no Centro Cívico de Curitiba, e escancarou a face mais desoladora da crise: o desemprego. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somente em abril, na Capital, foram fechadas 3.223 vagas.
Em todo o Paraná, 2.002 vagas com carteira assinada deixaram de existir no mês passado, que foi considerado o pior dos últimos 13 anos, conforme a série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Entre os candidatos a trabalhar no Festval, estava Maycon Douglas Cordeiro, 19 anos, interessado numa vaga de repositor. Ele está desempregado há dois meses e ontem enfrentava a fila embaixo da chuva. "Cheguei antes das 7 horas da manhã e vou ficar até ser atendido, mesmo que chova mais, porque preciso voltar a trabalhar. E as vagas estão bem difíceis de surgir", disse.
Há seis meses enviando currículos desde que foi demitida, a operadora de caixa Jéssica Góes dos Santos, 22 anos, também estava firme no propósito de permanecer na fila até ser chamada por um dos recrutadores. "Mandei mais de 20 currículos e só fui chamada para uma entrevista. Não posso desperdiçar essa oportunidade, vou esperar na fila pelo tempo que precisar", garantiu.
O gerente-administrativo do supermercado, Júlio César Vicentini da Rosa, reconheceu que a procura foi acima do esperado e, por esta razão, o estabelecimento decidiu realizar apenas uma pré-entrevista com as pessoas que foram ontem para a seleção. "Quem passar por esse primeiro contato, será chamado para uma entrevista mais detalhada na próxima semana. Já, para os próximos dias de pré-seleção, para evitar que as pessoas percam horas na fila, vamos limitar os atendimentos com distribuição de senhas e faremos a entrevista completa", explicou.
A psicóloga responsável pelo recrutamento, Amanda Zanoto, observou que essa mudança na estratégia de pré-seleção foi com o objetivo de atender a todos que insistiram em aguardar na fila. "Inicialmente, faríamos a entrevista completa hoje (ontem) com cada candidato. Como vieram muitas pessoas, decidimos atender a todas deste primeiro dia, para não limitar a seleção por ordem de chegada. Fizemos isso, em respeito a cada pessoa que gastou tempo e recursos para se deslocar até aqui. Entrevistamos pessoas que vieram na noite de terça-feira para a frente do Festval", afirmou.
Salários
Segundo os recrutadores, as 350 vagas oferecidas estão divididas entre 15 funções que vão de estoquista e empacotador até fiscal de loja. Os salários variam de R$ 1.180 a R$ 2.400 mais benefícios como plano de saúde e vale-alimentação. A escolaridade exigida varia do ensino fundamental completo a ensino médio completo. "Infelizmente, vieram muitas pessoas sem a escolaridade necessária para o cargo que estavam se candidatando", afirmou o gerente-administrativo.
Outro fator que, segundo ele, é decisivo na seleção é o período de permanência nos empregos anteriores. "Quem é muito instável, que permanece entre dois e três meses em cada emprego, não atende ao perfil que buscamos", acrescentou. Em contrapartida, quem se qualifica e tem experiência já está alguns passos à frente na disputa. Segundo os recrutadores, em um levantamento preliminar do perfil dos candidatos que estiveram no processo de seleção ontem, o tempo de procura s por uma recolocação variava entre quatro e oito meses.


