Figura de Chávez gera resistência
Curitiba - A entrada da Venezuela pode ter criado resistência de alguns setores brasileiros em função da personalidade controvertida do presidente Hugo Chávez, mas, no que se refere à economia do bloco econômico, as previsões estão otimistas após a entrada do novo membro. Com a Venezuela, o grupo passa a ter cerca de 260 milhões de habitantes, uma área de 12,7 milhões de quilômetros quadrados e um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 1 trilhão de dólares, 76% do total da América do Sul.
''Os resultados são positivos para o comércio, especialmente para o Paraná, que é um forte produtor agrícola'', afirma o coordenador de Assuntos do Mercosul da Secretaria de Indústria e Comércio do Paraná, Santiago Gallo, acrescentando que em abril o presidente Hugo Chávez visitou o Paraná e fechou negócios no Estado.
Para o presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa, a Venezuela é um país importante, ''um dos maiores produtores de petróleo do mundo, e tem um mercado em expansão. O Brasil exporta muito para lá, principalmente serviços'', lembra.
Na avaliação de Barbosa, os resultados econômicos desde a criação do Mercosul até agora também são positivos, mas podem estar ameaçados. ''Eu acho que o Mercosul está passando por uma crise muito grande. Mas tem que diferenciar o Mercosul comercial do Mercosul institucional. O Mercosul comercial está indo muito bem. Em 2005, o Mercosul bateu um recorde, 18 bilhões e 700 milhões de dólares foram 'transacionados' entre os quatro países. O problema que existe no Mercosul é a parte institucional. Porque sobretudo as regras não estão sendo cumpridas e o Tratado de Assunção está sendo desrespeitado seguidamente por todos os países. Sem falar nos conflitos internos'', afirma ele.
O presidente da Fiesp se refere aos três principais problemas atualmente enfrentados por membros do Mercosul. Brasil e Argentina estariam concentrando as decisões no grupo. Economias menores, como Paraguai e Uruguai, demonstram insatisfação com os resultados nos negócios - e o governo uruguaio inclusive avança nas relações comerciais com os EUA. O terceiro problema, conhecido como ''guerra das papeleiras'', coloca a Argentina e o Uruguai em lados opostos.
O conflito ocorre porque o Uruguai afirmou que não irá suspender a instalação das indústrias de celulose, que de acordo com o governo argentino deverão poluir o Rio Uruguai, localizado na divisa entre os dois países. ''Sem falar na Bolívia'', acrescenta Barbosa, em referência à nacionalização do petróleo e do gás boliviano, no dia 1º de maio, e que prejudicou o Brasil. (C.S.)





