Depois de ver as medidas para redução da taxa de câmbio serem criticadas, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo envolveu-se em um bate-boca on-line com o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Figueiredo não gostou da alusão de Franco à falta de transparência das intervenções anunciadas pelo BC. Em resposta, Figueiredo mandou dizer que era o ex-presidente do BC quem negociava ‘‘no escurinho’’.
Segundo Gustavo Franco, ‘‘as ações da autoridade monetária continuarão sendo feitas no escurinho das transações bilaterais com os dealers’’, ou seja, por meio da venda direta aos bancos que atuam no mercado de financeiro em nome do BC. Para ele, o BC seria mais transparente se voltasse a adotar leilões de câmbio.
Minutos depois de ter acesso às críticas, Figueiredo disse, por meio da assessoria de imprensa do BC , que, ‘‘com todo o respeito, no escurinho era como o ex-presidente do Banco Central operava nos mercados de câmbio futuro e de bradies. Se ele entendesse de mercado de câmbio não teria jogado o Brasil na maior crise cambial de sua história e ainda estaria no Banco Central até hoje’’.
Além da crítica à forma de intervenção anunciada, o ex-presidente do Banco Central havia dito pouco antes que via poucas chances de o BC ter sucesso. Segundo Franco, ‘‘com ou sem regra’’, este tipo de intervenção não é suficiente para trazer tranquilidade ao mercado. Com a decisão de fazer intervenções diárias e lineares, de acordo com o ex-presidente, o BC definiu uma pseudo-regra que não representa mudança significativa e não agrega transparência.
Para Franco, o problema do mercado de câmbio hoje é claramente provocado pela procura de hedge. ‘‘Quem tem ativos e dívida em dólar está comprando dólares e governando o mercado’’, afirmou.
O ex-presidente viu ainda uma contradição na afirmação de Figueiredo quando este disse que preocupação não é com a taxa de câmbio, mas com a inflação. ‘‘Com todo respeito, mas dizer que o nível da taxa de câmbio não é relevante só pode ser entendido como um exagero de retórica’’, afirmou.
O Banco Central também sofreu duras críticas de outro ex-presidente da instituição, o economista Gustavo Loyola. Ele disse que o banco deverá desistir rapidamente da nova regra de intervenção no mercado, destacando não ter entendido a decisão de fazer intervenções diárias. ‘‘Eles não foram felizes’’, comentou Loyola. Na avaliação do ex-presidente, fazer intervenções da média de US$ 50 milhões por dia é pouco, quando comparadas ao volume de todo o mercado de câmbio.

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