O Banco Central está fazendo declarações contraditórias sobre sua estratégia de intervenção no câmbio, num comportamento que pouco ajuda a esclarecer um mercado já bastante confuso. Na semana passada, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, havia anunciado que a instituição iria usar exatamente US$ 6 bilhões para intervir no mercado de câmbio até o final do ano.
Tais intervenções, segundo ele, seriam feitas de forma linear. Isto é, seriam praticamente diárias e com valor em torno de US$ 50 milhões.
Ontem, o presidente do BC, Armínio Fraga, disse a investidores em Nova York que poderia elevar o valor. US$ 6 bilhões seriam usados apenas para ‘‘irrigar’’ o mercado de câmbio – e o valor poderia ser ampliado, se necessário. Além disso, o BC poderia usar quantias adicionais para intervenções.
Ontem, a história mudou novamente: Figueiredo disse que não há a possibilidade de mudar os US$ 6 bilhões anteriormente anunciados. A Agência Folha procurou o presidente do BC para esclarecer a divergência. A assessoria de imprensa da instituição divulgou apenas uma frase, que esclarece pouco: ‘‘O número US$ 8 bilhões que está sendo tratado pela imprensa é uma invenção. Nunca, em momento algum, usei número diferente de US$ 6 bilhões’’. Ou seja: o BC deixou de informar, com clareza, se existe a hipótese de vender mais dólares além dos US$ 6 bilhões.

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