Fiesp prevê alta de 1% nos preços
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Estudo desenvolvido pelo Departamento de Economia da Fiesp estima que a aplicação da CPMF provocará uma expansão de 1% no custo final dos produtos industriais, o que é uma taxa alta para os níveis atuais de inflação no Brasil. O trabalho mostra que o impacto da CPMF nos custos não será igual em todos os produtos. Será tanto maior, quanto maior for o número de elos da cadeia produtiva, já que a CPMF é um imposto em cascata.
O porcentual de 1% ocorre para um produto que passa por uma cadeia de fabricação com oito elos - número médio até o consumidor final. Segundo o levantamento, o reajuste dos preços será maior se ocorrer elevação nas taxas de juros.
O incremento de custos pode acarretar maiores preços ou redução de margens. Levando-se em consideração o elevado grau de concorrência presente na economia brasileira, não se pode esperar tendência generalizada de repasse dos custos para os preços. Em alguns segmentos onde a competição é menor pode ocorrer repasse; na área industrial, isso é pouco provável porque é o setor mais afetado pela concorrência dos importados; a própria queda real dos preços industriais que se tem verificado é uma evidência nesse sentido. Em outras palavras, num momento em que a indústria está imobilizada pela competição, a tendência deve ser a de redução de margens.
O estudo destaca que a CPMF aumenta o Custo Brasil e, por consequência, reduz a competitividade da produção brasileira. Do lado das exportações, é um custo sem condições de ser retirado no momento da venda; do lado da produção interna, aumenta a desigualdade na competição com o produto estrangeiro. Em resumo, é um imposto que está não somente na direção contrária dos sistemas tributários do mundo, como também na contramão do processo brasileiro de inserção internacional.


