O diretor do departamento de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Estado de São Paulo (Fiesp), Maurice Costin, disse ontem que a nova política do governo de liberar a flutuação do câmbio vai beneficiar, inicialmente, as exportações do setor agrícola. Posteriormente, acrescentou Costin, o segmento industrial que não depende ou depende pouco de componentes importados poderá ampliar suas vendas externas. Essa avaliação está condicionada à desvalorização da moeda no patamar estabelecido pelo mercado na última sexta-feira, ou seja, de cerca de 20% sobre o dólar. Se o valor do real se mantiver próximo a R$ 1,50 por dólar, prevê Costin, o setor agrícola deve retormar as exportações imediatamente e empregar mão-de-obra na mesma velociadade. Nos setores siderúrgico e têxtil, exemplifica Costin, a recuperação deve se dar a partir do segundo trimestre. De acordo com Costin, a nova política adotada pelo Banco Central representa ‘‘o mal que vem para o bem’’. O principal risco daqui para frente, segundo Costin, é a volta da inflação descontrolada. ‘‘Temos uma memória inflacionária de 40 anos e isso gera preocupação entre os empresários e a sociedade em geral quanto à capacidade de manter os índices em níveis aceitáveis’’, disse Costin. Para ele, uma inflação entre 5% e 7%, como estão prevendo alguns institutos de pesquisa, é ‘‘civilizado’’, mas se o dólar subir acima do atual nível a situação pode se complicar.

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