A temporada de vestibulares de inverno já chegou e, depois de conquistarem sua vaga no ensino superior, milhares de universitários de instituições privadas terão outro desafio pela frente: arcar com os custos do curso. Por isso, muitos devem optar por um programa de crédito para os estudantes. Uma das opções é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que em 2013 já passou da marca de 260 mil contratos fechados e movimentou R$ 10,4 bilhões. A expectativa do governo federal é terminar o ano com 400 mil contratos, 7,2% a mais que em 2012, quando foram contratados 373,1 mil financiamentos, totalizando um valor próximo de R$ 12,894 bilhões.
Na comparação com 2011, o crescimento do Fies é ainda mais significativo, já que naquele ano foram fechados 153,8 mil contratos. As informações são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
No Paraná, o Fies já contabiliza 11,2 mil contratos desde o início do ano. Esta parcial representa 57% do negociado no ano passado, quando a modalidade fechou com 19,6 mil financiamentos e um valor acima de R$ 766 milhões. Se comparado aos números de 2011, a parcial já é 14% superior quando foram fechados 9,8 mil contratos e mais de R$ 335 milhões.
Já em Londrina são 2,2 mil contratos só este ano e 3,9 mil no fechamento de 2012, quando foram financiados mais de R$ 179 milhões. Em 2011, 1,6 mil financiamentos foram contratados na cidade e o valor atingido passou de R$ 78 milhões.
Na opinião do diretor de Gestão de Fundos e Benefícios do FNDE, Antônio Corrêa Neto, o crescimento apresentado pelo Fies nos últimos anos só foi possível graças às mudanças que tornaram o programa mais acessível aos universitários brasileiros. Entre as mudanças, ele cita, a redução das taxas de juros, que até 2010 chegavam próximo de 10%, mas caíram para 3,4%, e a ampliação do prazo de carência para o início do pagamento, que passou para 18 meses. "Também houve ampliação no prazo de amortização. Se o estudante financia um curso de 4 anos, por exemplo, vai ter 13 anos para pagar", acrescenta Corrêa.
A burocracia para entrar no Fies também diminuiu, com o fim do processo seletivo e a criação do Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGDUC), com o qual as instituições contribuem, evitando a exigência de fiador. "Hoje é um processo contínuo e a qualquer momento o estudante pode fazer", enfatiza o diretor.
Ele ainda destaca que 80% dos participantes do Fies têm renda mínima próxima a 1 salário mínimo e meio e estão situados entre as classes C e D. "O benefício para a economia do País é fantástico, traz desenvolvimento para as empresas, gera emprego, além de melhorar a mão de obra", afirma Corrêa.
Mas o crédito universitário via governo federal não é a única opção disponível. Muitos acadêmicos têm optado pelo financiamento estudantil através de instituições privadas. Uma delas, a Idea Invest, gestora do programa Pra Valer, informa já ter fechado negócio com mais de 35 mil estudantes, desde sua criação em 2006.
Em pesquisa realizada recentemente pela empresa foi constado que 90% desses clientes não fariam o curso em que estão matriculados se não tivessem a opção de financiá-lo.
O diretor executivo da Idea Invest, Carlos Furlan, destaca que os jovens que buscam crédito junto à empresa têm idade média de 24 anos, sendo que 55% fazem parte da classe C, 65% trabalham, 61% são mulheres e 65% são os primeiros da família a cursar o ensino superior. "Isso revela que, em geral, são jovens mais esforçados e determinados do que a maioria. Escolhem cursos com mensalidades bem acima do que conseguiriam pagar sem o auxílio do crédito", afirma Furlan, que destaca engenharia, direito, enfermagem, administração, informática e medicina como os cursos mais procurados.
Diferente do Fies, o crédito universitário particular exige que o aluno já comece a pagar as mensalidades durante o curso. Mas segundo Furlan, com a divisão de cada parcela em duas vezes e taxas de juros que podem até ser zeradas. "O aluno se forma com uma dívida menor, que será paga em menos tempo, liberando orçamento para novos financiamentos no futuro, como carro ou casa", ressalta.

Imagem ilustrativa da imagem Fies estima financiar 400 mil estudantes em 2013



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