O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho, não acredita que vai haver feriado às segundas-feiras, como vem sendo estudado pelo governo federal. ‘‘Essa foi uma idéia infeliz, que não vai vingar. Neste momento o Brasil precisa aumentar sua produção e não o contrário’’, defendeu ele, que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A Fiep realizou ontem na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) uma reunião com o objetivo de conscientizar os empresários da região a economizar energia elétrica, apesar de ainda não haver racionamento na região Sul.
‘‘Lançamos a campanha da empresa cidadã, cuja proposta é que os empresários adotem pequenas economias diárias. No Brasil, existem 210 mil trabalhadores no setor e cinco milhões de indústrias. Pequenos cuidados como desligar uma lâmpada de um corredor podem ser representativos’’, disse.
Ele também entregou ontem à Câmara de Gestão, em Brasília, uma série de sugestões para economizar energia elétrica. Entre elas, a da formação de um consórcio de indústrias para ratear a energia elétrica de um mesmo subsistema. ‘‘Desta forma, o excedente da cota de uma empresa poderia ser repassada para outra’’, disse Carvalho. Cada indústria tem uma cota de 20%.
O presidente da Fiep disse que a crise é ‘‘vantajosa’’ porque deve provocar a mudança da matriz energética brasileira, composta atualmente por 92% de recursos hídricos. ‘‘A matriz ideal é um mix com hídrico, gás e atômica’’, defendeu Carvalho. ‘‘Apesar da questão ambiental ser importante é hora de cortar os excessos dos ambientalistas. Enquanto o mundo usa a energia atômica, ainda estamos discutindo a construção da Angra 3’’, reclamou.
Carvalho não acredita que o racionamento de energia no Sudeste prejudique a indústria paranaense. ‘‘Pouquíssimos setores dependem de insumos que vêm de outras regiões’’, disse. Segundo ele, o racionamento vai aumentar a produção no Paraná. ‘‘Devemos ocupar a capacidade de nossas indústrias, que hoje varia de 15% a 18%. Por conta do racionamento, várias empresas paranaenses estão trabalhando com turnos de 24 horas’’.
Com uma previsão de retração de 15% na produção nacional, o Paraná deve fechar este ano com um PIB industrial de 7%. ‘‘A previsão nacional caiu de 6% para 3,5% por causa do racionamento. No ano passado, o Paraná teve o segundo desempenho do Brasil, com 6,8%’’, lembra.
A Fiep promove amanhã outras duas reuniões para discutir a crise energética já que 40% da energia gerada no Brasil é consumida pelo setor industrial: em Maringá, às 10 horas, no auditório da prefeitura; e em Cascavel, às 15 horas, na Associação Comercial.

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