Fiep quer juros da Selic em 6%
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de abril de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
A falta de crédito devido aos altos juros da taxa Selic já prejudica 70% das empresas paranaenses que tiveram uma queda no volume de negócios da ordem de 15%, nos dois primeiros meses deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado. A informação é do presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures. As quedas anunciadas nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), da ordem de 2,5% na taxa básica, não tiveram qualquer reflexo sobre a economia. Membros do próprio governo e empresários concordam que a taxa de 11,25% necessita abaixar de 3 a 6 pontos percentuais.
Loures defende que os juros da Selic caiam para 6%, representando para alguns especialistas uma conta impossível de fechar. Para o professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina, Miguel Arturo, a medida proposta pelo líder empresarial esbarra no déficit público, hoje financiado pela Selic. O estudioso argumenta que o governo mantém os juros altos para capitar recursos junto ao sistema financeiro nacional e internacional. Ele explica que o governo emite títulos públicos, os bancos compram e assim o governo paga diariamente os gastos da máquina pública.
''O governo há 30 anos está no cheque especial'', compara Arturo, ao explicar que o governo gasta mais do que arrecada. ''Usar a taxa Selic para capitar recursos no mercado financeiro é uma disfunção. A taxa serve para controlar a inflação'', contra-argumenta Loures. Dados da Fiep apontam que a dívida pública do governo está na casa de R$ 1,2 trilhão. Loures destaca que R$ 850 bilhões correspondem a juros pagos - parcialmente - nos últimos 6 anos pelo governo Lula ao sistema financeiro. ''Quando o governo Lula começou em 2002, o déficit público era de R$ 600 bilhões, ou seja, dobrou a dívida pública de lá para cá'', alfineta o líder empresarial.
O presidente da Fiep ressalva que o consumo no Estado se mantém aquecido, porém em consequência de um redimensionamento dos estoques do comércio. ''O comércio não está sofrendo a mesma queda de 15% da indústria'', explica. Ele destaca que os bens de consumo duráveis de luxo (carros, moradia) tiveram quedas consideráveis. ''O crédito não está fácil para estes bens mais caros'', pontua. Segundo ele, nestes dois primeiros meses, o Brasil teve queda de 25% nas exportações. O produtos industrializados exportados tiveram uma queda maior, 30%.
Loures pondera que 1% retirado da taxa Selic reduz em até R$ 15 bilhões o gasto público, só com pagamento de juros. Segundo ele, o governo com uma taxa Selic em 6% economizaria R$ 90 bilhões. Ele lembra que no ano passado, quando a taxa estava em 13,75%, o governo pagava R$ 180 bilhões de juros para capitar recursos junto ao mercado financeiro.
O economista considera remota a queda drástica da Selic, além de matemática e economicamente fora de questão. Segundo ele, se o governo tomasse esta medida teria que cortar os gastos com aposentadorias, saúde, educação, planos de aceleração da economia, fechar as universidades e hospitais federais entre outros. Ele acrescenta que a carga tributária, que é a mais alta do mundo todo, também não pode sofrer aumento. Segundo ele, a receita inelástica (tributos) do governo se aumentada, pressionaria os preços e a inflação.
Perguntado como o governo poderia facilitar o crédito para o setor produtivo, Arturo não vê, a curto prazo, a possibilidade de uma ação generalizada da área econômica do governo. Segundo ele, a política setorizada de salvar com desoneração fiscal as montadoras de veículos e outros setores é a saída mais adequada para o momento. ''A solução do governo para economia brasileira é lenta e não generalizada, tem setores que vão se recuperar rapidamete, alguns vão demorar mais e outros vão desaparecer'', deduz o economista.


