A vida não será fácil para ninguém num provável governo do vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Um profundo ajuste fiscal será inevitável. E, nem mesmo, a recriação da CPMF deve ser descartada na busca do equilíbrio das contas públicas. Em linhas gerais, essas são as expectativas do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, para o caso da confirmação do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT).
Em Londrina para a abertura do Fórum EletroMetalCon 2016 - Oportunidades, Desafios e Tecnologias para as Indústrias Eletrometalmecânica e Construção Civil, realizada ontem à noite no Senai (leia mais nesta página), ele visitou a redação da FOLHA. "É utopia pensar que a economia será retomada sem um ajuste fiscal", disse ele, afirmar não esperar nenhum pacote de bondade para a indústria por parte de Temer. "Não vamos imaginar o governo vai chegar desonerando a folha de pagamento, trazendo juros negativos", afirma ele, referindo-se às políticas de incentivo à indústria formuladas pelos governos petistas de Lula e Dilma. "O que a gente espera são políticas públicas para o setor de médio e longo prazos", declara.
Ao contrário do colega Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Campagnolo diz que a CPMF pode ser uma opção, desde que o governo "corte na própria carne". "Se cortar ministérios, se diminuir outros gastos públicos, podemos recuar (e aceitar a CPMF) com um prazo de validade", afirma.
Além do corte de despesa, Campagnolo espera que Temer faça a reforma trabalhista e se empenhe na aprovação do projeto que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa. "O Michel Temer sinalizou que irá agilizar esse projeto. Não dá para imaginar que fique nas gavetas", alega.

DÓLAR
Passada a turbulência política no País, o presidente da Fiep espera também a apreciação do dólar, que ontem avançou 2,33%, fechando a R$ 3,571. Para tornar a indústria nacional competitiva, segundo ele, é preciso um valor mínimo de R$ 3,75 para a moeda americana. "O ideal é na faixa de R$ 3,75 e R$ 4,20." Ele conta que, em meados de fevereiro, quando o dólar bateu na casa de R$ 4, a indústria recuperou mercado. "Quando voltou a R$ 3,50, o câmbio já começou a trazer problemas para os exportadores", alega.
Campagnolo diz que tanto a metalmecânica quanto a construção civil, setores que promovem o Fórum EletroMetalCon 2016, são muito afetados pela crise. "As pessoas precisam comprar imóveis para morar. Só que, para isso, é preciso um ambiente melhor. O risco de desemprego faz as pessoas recuarem (na decisão de comprar imóvel)", afirma. Apesar disso, há nichos de mercado aquecidos. Ele cita como exemplo a primeira edição da Habitaserv, feira de habitação realizada no último final de semana em Curitiba, aberta apenas para servidores público. "Foi um sucesso. Somente a Construtora Plaenge vendeu 17 imóveis lá", conta.
Dependente da indústria automotiva, de acordo com ele, o segmento metalmecânico deve demorar mais a se recuperar. "Nos últimos três anos, a indústria automotiva amargou um prejuízo de R$ 1 bilhão no Brasil."

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