FIEP INDEPENDENTE - ''Prioridade é capacitar mão de obra'', diz Valter Orsi
As duas chapas que concorrem às eleições da Fiep são encabeçadas por atuais vice-presidentes. Por que não foi possível compor um grupo só? Qual a diferença entre os dois?
Em relação às duas candidaturas sempre tivemos um posicionamento de que a presidência da Fiep tivesse a sua frente um associado que preenchesse três características fundamentais; ser do meio sindical, ser do interior e não possuir atuação política partidária. E tínhamos dois candidatos que preenchiam essas prerrogativas, o Edson Campagnolo e o Carlos Walter, que depois se uniram em uma única candidatura. Porém com a candidatura do Ricardo Barros não houve consenso. A diferença entre os dois é simples e objetiva: o Campagnolo é do meio sindical e industrial, enquanto o outro não.
Os dados da RAIS mostram que, nos últimos 10 anos, enquanto os empregos na indústria cresceram 76% no Estado e 72% em Maringá, em Londrina este aumento foi de somente 50%. Na sua opinião, por que isso acontece?
É preciso entender que a geração de empregos está relacionada diretamente ao desempenho do poder público, que possui maiores prerrogativas para atrair novas empresas e estimular os negócios. E Londrina, nos últimos anos, tem sofrido com muitos problemas na administração municipal. Na pasta ligada à indústria não aconteceu uma ação em sinergia com a classe industrial.
Sua chapa sendo eleita, o que ela poderia fazer para impulsionar a industrialização de Londrina?
Primeiro, um forte impulso na capacitação da mão de obra. Com nossa eleição frente à Fiep já temos garantia de um Senai e Sesi fortes e atuantes neste aspecto. Por ser uma chapa com grande representatividade do interior, vamos interceder em demandas como melhorias no aeroporto, a instalação do Arco Norte com ampliação das áreas industriais para novas empresas.
Outra reportagem da FOLHA, com base em levantamento da Codel, revelou que somente 33% dos 175 terrenos doados pela Prefeitura a empreendimentos industriais, nos últimos 10 anos, foram construídos. O que o senhor acha desta forma de incentivo?
A doação de terrenos é fator fundamental para instalação de novos empreendimentos. No entanto, é preciso ter critérios. Muitas vezes, por exemplo, as áreas doadas não oferecem condições de construção, seja pela falta de estrutura ou pela questão ambiental. E outras porque o interessado simplesmente recebeu a área sem apresentar o mínimo de garantia de que poderia concretizar o empreendimento anunciado. Ou seja, não adianta apenas dar o terreno se não houve critérios e até mesmo garantias de que a empresa sairia do papel.
Na sua opinião como deveria ser uma política de atração de indústrias pelo Município?
Uma das primeiras coisas a serem resolvidas é a definição de áreas industriais compatíveis com as necessidades dos empreendedores que queiram investir na cidade. Que áreas estão disponíveis para instalar indústrias que não tenham restrições ambientais? A prefeitura não tem este mapeamento. Talvez isto seja resolvido com o Plano Diretor que está sendo discutido na Câmara. Mas hoje, esta indefinição é prejudicial porque as empresas têm pressa.





