Fiep engrossa movimento pelo fim da CPMF
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de setembro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) realizou ontem uma manifestação na Boca Maldita, no centro de Curitiba, contra a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Além da Capital, a mobilização aconteceu também no interior do Estado na cidades de Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Pato Branco para coletar assinaturas da população e engrossar o movimento pelo fim da cobrança da contribuição. O abaixo-assinado será encaminhado aos deputados da Câmara Federal. Até o meio-dia de ontem, tinham sido coletadas 10 mil assinaturas. No interior, a campanha vai até quinta-feira. Em Londrina, ainda é possível participar do abaixo-assinado hoje no Shopping Catuaí. Quem não puder ir pessoalmente, pode utilizar o site cmpf.fiepr.org.br.
O vice-presidente da Fiep, Hélio Bampi, disse que a entidade é contra a prorrogação da cobrança porque é inconstitucional, provisória e tem prazo para terminar, marcado para o final deste ano. ''A CMPF não incide sobre produção ou renda mas, sobre movimentação financeira. Esse imposto arrecada R$ 36 bilhões por ano e o governo tem um excedente tributário de R$ 60 bilhões'', destacou. Ele explicou que o governo não precisa deste tributo para a dotação orçamentária e que poderia substituí-lo pelo excedente tributário.
Para Bampi, o fim da cobrança da CPMF geraria consumo, novos investimentos e, consequentemente, empregos. Ele prevê que poderiam ser criados 700 mil empregos no País com a extinção da CPMF. ''A sociedade precisa de emprego e renda'', declarou. No setor industrial, o imposto inibe o crescimento, segundo ele.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) já apresentou um abaixo-assinado com mais de 1 milhão de assinaturas para a Câmara dos Deputados na última terça-feira pedindo a não prorrogação da CPMF.
®MDNM¯
Estimativas realizadas por vários economistas apontam que o governo tem receita para cumprir a agenda social e não depende da arrecadação da CPMF. A previsão é que a arrecadação geral do governo cresça R$ 70 bilhões em 2008, passando de R$ 514 bilhões projetados para 2007 para R$ 586 bilhões em 2008. O deputado Antonio Palocci, relator da comissão especial da Câmara criada para analisar a prorrogação da CPMF, argumenta que o governo não pode abrir mão da arrecadação proveniente da contribuição.
''O governo tem que ajustar seus gastos e, se considera que não pode abrir mão da arrecadação da CPMF é por ineficiência administrativa'', afirma o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures. Para ele, ''os gastos públicos só serão controlados quando fecharmos a torneira do governo''.


