Fiep e Acil esperavam resultado melhor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de dezembro de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O coordenador regional da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Ary Sudan, diz que recebeu com surpresa o índice negativo do setor (-0,9%) no PIB do terceiro trimestre. ''A gente sabia que não seria um bom resultado, mas não imagina que viria negativo'', afirma.
Para ele, mais que as medidas anti-inflação tomadas pelo governo no primeiro semestre do ano, a crise europeia é a responsável pelo desaquecimento da indústria. Sudan reclama do ''fator psicológico'' causado pela conjuntura internacional. ''Você começa a falar só em crise e isso cria uma situação bastante negativa que inibe as possibilidades de novos investimentos. Tira-se o pé do acelerador e passa para freio'', declara.
Mas, segundo o coordenador, o terceiro trimestre do ano representa a ''batida no fundo do poço''. ''Acho que vamos voltar a crescer e teremos uma curva ascendente nos próximos meses.''
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, esperava um índice trimestral um pouco acima de zero. Mas, de acordo com ele, os sinais de desaceleração eram visíveis. ''A elevação do índice de inadimplência já sinalizava uma situação desfavorável'', alega. De acordo com a entidade, este índice cresceu 10% de janeiro a novembro de 2011 na comparação com o mesmo período de 2010.
''Apesar de nosso mercado interno ainda estar aquecido, boa parte da produção brasileira depende do mercado externo. Manter-se no zero ainda é melhor que ficar negativo como muitos países'', declara Benvenho. Ele garante que os empresários da cidade vêm sentindo uma retomada do crescimento das vendas desde novembro. ''Mas não no nível do ano passado, que foi excepcional'', alega.
Enquanto indústria e comércio lamentam o passo atrás dado no terceiro trimestre, o agronegócio comemora o crescimento de 3,2%. ''O setor é o sustentáculo da economia brasileira e responde positiva e rapidamente nos períodos mais críticos'', afirma a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozza.
Segundo ela, o produtor brasileiro tem mentalidade de ''empreendedor rural'' e não mede esforços para levar tecnologia de ponta para as plantações. ''Mas também tivemos um ano de bons preços para a agricultura'', admite.
Gilda ressalta que o crescimento do PIB do agronegócio no terceiro trimestre nada tem a ver com a sazonalidade do setor,já que o período de julho a setembro não é de grandes colheitas . ''Este é um período de final de comercialização (das safras principais) e de início do plantio da próxima safra'', afirma.


