Curitiba - A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) não acredita que o governo federal esteja se esforçando para salvar a economia brasileira de um efeito mais drástico da crise financeira mundial. A declaração foi dada pelo presidente da entidade Rodrigo Rocha Loures durante o encontro promovido entre lideranças empresariais com a bancada paranaense no Congresso Nacional, ontem, na sede da Fiep. A federação quer que os parlamentares levem a Brasília as reivindicações do setor.
Loures afirma que, até o momento, as medidas foram paliativas diante de uma política recessiva. ''A intervenção governamental deve ser de antecipação. Defendo a queda de juros, estabilização cambial e reformas fiscais e trabalhistas para reacender o ânimo do empresário e retomar a confiança. A desaceleração do crescimento é aceitável, mas partimos para uma recessão sem medidas mais radicais'', contesta.
Para o ano que vem, os empresários estão trabalhando com a margem de crescimento entre 2% e 3%, segundo dados da Fiep. Ainda assim, a entidade prevê um primeiro trimestre negativo. A indústria exportadora em outubro amargou uma queda de 11% na atividade e diversos setores já demitiram ou deram férias coletivas bem mais longas que o normal. Quanto a isso, Loures afirmou que a indústria se antecipou ao corte de despesas diante de perspectivas de perdas, apontadas pelas análises de mercado. ''Juros altos e câmbio volátil assustam'', diz.
Uma pesquisa da Fiep sobre planos de investimentos para 2009 divulgada ontem, demostrou que em um universo de 315 empresários, 20% pretendem suspender qualquer recurso para melhorias, como capacitação de pessoal e compra de equipamentos. Em contrapartida, 15% pretendem ampliar. Outros 20% assumiram que vão reduzir e 45% não vai alterar os planos já estabelecidos antes da crise.
O deputado federal Dilceu Sperafico (PP) concorda que o governo não encara a crise como algo grandioso e por isso medidas mais contundentes estão sendo retalhadas. Para ele, a cobrança deveria partir da sociedade. Para o deputado Marcelo Almeida (PMDB), o Brasil está preparado para enfrentar as dificuldades econômicas por ter uma política monetária diferente que vinha sendo praticada, além de ter um fundo de US$ 200 bilhões em títulos. Ele voltou a afirmar que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 3%, como já havia sido anunciado pelo Ministério da Fazenda. ''Os empresários estão olhando para o seu umbigo e não refletem que há um País a ser gerenciado. As medidas são paliativas para alguns e qualquer mudança é lenta'', argumenta.
Para o senador Osmar Dias (PDT), é uma obrigação dos parlamentares trabalharem para que governo e setor entrem em um acordo. Na opinião dele, as medidas adotadas até agora, protegem em parte o País de um impacto maior. ''A desoneração está sendo cuidada, mas falta apoiar melhor a exportação, reduzir a carga tributária e também os preços de alguns produtos como o combustível para animar o mercado'', indica. O senador afirmou que ainda este ano, o Congresso deve votar medidas provisórias referentes à crise para o socorro de algumas economias, além do fundo soberano para a liberação de mais recursos aos setores e, em 2009, a reforma tributária.

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