Fiep com sotaque do Interior
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - O novo presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, que assume o cargo hoje para uma gestão de quatro anos, pretende incentivar o desenvolvimento das empresas em todas as regiões do Estado. Essa é a primeira vez, depois de 67 anos, que a entidade terá um dirigente do Interior do Estado, do Sudoeste, o que deverá ser um dos motivos que fará ele voltar o olhar para o Paraná como um todo e não somente os grandes centros. Outras bandeiras que ele afirma defender são mais investimentos em infraestrutura e logística. A meta é também batalhar pelas reformas tributária e fiscal sob pena de desindustrialização, além de ter maior articulação com a bancada federal.
Uma novidade será a criação de um banco de projetos. A ideia seria funcionar como um banco de empréstimo capitalizado pelos governos estadual, federal ou até empresas de fora. Os investidores poderão vir também de Parcerias Público-Privadas (PPPs). ''Precisamos de projetos para alavancar os investimentos em infraestrutura que o Paraná necessita'', disse.
No próximo dia 17 de outubro, ele tem reunião marcada com a bancada federal para discutir temas relacionados ao desenvolvimento do Estado. Além disso, a ideia dele é unir os três Estados do Sul para ter uma atuação em conjunto.
Campagnolo fazia parte da chapa Fiep Independente e venceu o ex-deputado federal pelo PP e secretário estadual de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, por 69 votos contra 21. Apesar da disputa com o candidato da oposição, ele disse que a Fiep está alinhada com o governador Beto Richa e com os programas de governo. ''Fico à vontade em relação a isso. Também temos um ótimo trânsito no governo federal'', afirmou. ''A minha intenção para o crescimento do Paraná é a mesma que a do governador, que terá um grande parceiro na Fiep'', declarou.
O novo presidente disse não ter nenhuma intenção político-partidária. ''O nosso único P de partido é P de Paraná. Precisamos ter isonomia e independência'', afirmou.
Campagnolo pretende ''olhar mais para o chão de fábrica'' e fazer fortes investimentos em qualificação e formação de mão de obra com a meta de atingir 500 mil pessoas através do Sesi e Senai até 2015. Segundo ele, o presidente Rodrigo da Rocha Loures tinha uma visão mais futurista e pensou muito no macro.
Outra meta dele é ter uma aproximação maior com as centrais de trabalhadores. Ele disse que o direito de greve é legítimo, mas as paralisações do setor automotivo, por exemplo, podem afastar investimentos em benefício do Estado. Por outro lado, defendeu que o trabalhador não pode ser explorado e pregou o bom senso entre as partes.
Macroeconomia
Edson Campagnolo disse que o Paraná tem crescido acima da média nacional graças aos investimentos realizados no passado, a presença do setor metalmecânico e a forte agroindústria. Por estes motivos, a previsão dele é que o Estado não seja afetado pela crise financeira internacional.
No entanto, defende para a política interna, a redução dos juros. ''Os modelos defendidos pelo governo federal estão ultrapassados. É preciso rever a política de juros'', disse. ''O custo-Brasil ainda é muito elevado. Ou o País faz uma mudança ou vai continuar engatinhando'', afirmou.
Ele também comentou a flutuação do câmbio, que tem dificultado o País competir nas exportações. ''É necessário fazer algo, senão estamos fadados a ser exportadores de commodities'', afirmou.


