A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) aprovou o pacote de medidas divulgado ontem pelo governo federal que visa aumentar a competitividade das indústrias do País nos próximos anos. Depois de muita pressão, o setor industrial obteve medidas de estímulo como a desoneração da folha de pagamento de diversos setores, aumento da oferta de crédito, medidas de defesa comercial para inibir os importados e um novo regime automotivo - válido de 2013 a 2017 - que terá regras de habilitação que incluem, por exemplo, maior investimento das montadoras na indústria nacional.
De acordo com Edson Campagnolo, presidente da Fiep, o governo tinha consciência de que a crise ''estava batendo na porta''. Vale lembrar que no ano passado a indústria foi o setor da economia que menos cresceu. Para este ano, a meta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é fechar com um Produto Interno Bruto (PIB) 4,5% maior que 2011. ''O governo foi sensível e de encontro com as nossas expectativas'', relatou Campagnolo, que esteve ontem em Brasília durante a divulgação do pacote.
Para o representante da Fiep, uma das principais medidas tomadas foi a desoneração da folha de pagamento para mais onze setores: naval, aéreo, têxtil, autopeças, hotéis, materiais elétricos, plásticos, móveis, ônibus, máquinas, chips e mecânico. No ano passado, o plano ''Brasil Maior'' foi lançado e já atendia os setores de confecção, couro e calçados, softwares e call centers. Com os novos inscritos, a expectativa é que o governo deixe de arrecadar com os empresários brasileiros R$ 7,2 bilhões por ano.
Somados todos os segmentos, eles terão isenção da contribuição previdenciária de 20% que incide sobre a folha de salários. Para compensar a queda na arrecadação, as empresas terão uma alíquota de 1% a 2,5% sobre seu faturamento. ''Será importante pois acredito que a medida dará fôlego para novas contratações'', comentou Campagnolo.
Outra medida interessante para o representante da Fiep que pode auxiliar a indústria paranaense é o aumento na oferta de crédito. ''São diferentes linhas de crédito para aquisição de bens como ônibus e caminhões. Algumas delas, financiando até 100% do bem'', destacou. Campagnolo também viu com bons olhos a criação do novo regime automotivo que começa a valer a partir de 2013. ''O PIB é puxado pelo setor automotivo e os reflexos graças às novas medidas serão vistos a curto e médio prazo.''
Apesar do pacote governamental, o presidente da Fiep cobrou a adoção de políticas definitivas que solucionem os problemas enfrentados pela indústria nacional. ''Estou animado e altamente satisfeito com as medidas anunciadas, mas é preciso também enfrentar as mudanças estruturantes necessárias e fazer reformas definitivas, como a tributária, fiscal, trabalhista e previdenciária. Só assim a indústria brasileira será verdadeiramente competitiva'', completou.

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