A partir de março do ano que vem, as indústrias do Estado do Paraná terão à disposição uma universidade corporativa, entidade provedora de educação profissional, desenvolvimento gerencial e de tecnologias específicas para o setor. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, que esteve em Londrina para lançar o I Encontro de Planejamento Compartilhado - Celebração de Resultados, promovido pela entidade no Hotel Sumatra, no centro da cidade.
A criação da universidade foi proposta em março deste ano, após a realização por parte da Fiep de um levantamento sobre as principais demandas da indústria paranaense. ''Temos uma lacuna na formação profissional média no Estado. Falta capacitação técnica'', afirma o diretor regional do Senai Londrina, Carlos Sérgio Asinelli.
Segundo o presidente da Fiep, a universidade deverá funcionar de forma semelhante a modelos encontrados na Paraíba, Ceará e no México. A troca de informações será incentivada e promovida pela federação através de eventos como o promovido ontem, que reuniu funcionários ligados ao sistema Fiep.
''Quanto à capacitação, colocaremos à disposição das indústrias todo o arsenal técnico disponível pelo sistema Fiep, e vamos atuar como um canal de negociação entre as empresas interessadas em buscar junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou ao governo do Estado, financiamentos para a construção de empresas-escola'', explica Loures. Os municípios de Cianorte (80 km a leste de Umuarama) e Arapongas (37 km a oeste de Londrina) foram citadas pelo presidente da Fiep como exemplos de cidades que poderiam comportar empresas-escola nas áreas têxtil e movelar, respectivamente.
A identificação de demandas, segundo Loures, continua. ''Sabemos das carências em tecnologia, gestão organizacional, marketing exterior e finanças, enfrentadas pela indústria paranaense. Isso, aliado ao bom desempenho que o setor apresentou no Paraná em 2003, fazem com que nossa performance este ano seja inferior ao de outros Estados'', disse, referindo-se ao crescimento industrial apresentado por cinco meses consecutivos no País. ''Aqui, a alta foi menor''.
Modelos norte-americanos (onde a universidade corporativa nasceu, há 50 anos) e franceses também estão sendo sondados e parcerias não são descartadas pela Fiep. ''Além disso, as universidades estaduais e a federal de Curitiba vão, da mesma forma, servir como fornecedoras de conhecimento'', afirmou.
Disponibilização de recursos mais baratos também estão incluídos no programa de otimização da capacidade industrial do Estado. ''Uma cooperativa de crédito para as empresas paranaenses está sendo viabilizada pela Fiep. O projeto já está sendo estudado pelo Banco Central e deve começar a funcionar em dois meses'', disse.

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