Depois de algumas semanas de negociação, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), núcleo regional de Ivaiporã, começa a vacinar hoje o rebanho bovino da Fazenda 7 Mil, contra febre afotsa. A propriedade, de 5.700 alqueires, ocupada desde de abril de 97 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), é considerada área de risco no estado, devido à falta de manejo do gado que permaneceu nas áreas de pastagens da fazenda.
Apesar de não confirmar, o Governo do Estado, através da Seab, estaria disposto inclusive a utilizar um helicóptero para monitorar as vastas áreas de pastagens da fazenda. O objetivo seria eliminar o risco de surgimento de um foco de febre aftosa, através de animais que estariam há pelo menos três anos sem imunização.
Há alguns dias um técnico da Seab admitiu à Folha, até a possibilidade de que animais que estão alongados e arredios em pastagens isoladas da 7 mil, serem eliminados. Isso seria feito caso os sem-terra não conseguissem trazê-los para vacinar nas mangueiras.
A exemplo de anos anteriores, o comissão de coordenação do acampamento - que abriga seiscentas famílias -, não permitiu o acesso de funcionários ou ex-peões da fazenda, para trabalhar na vacinação do gado. Há dois dias os peões do próprio MST estão arrebanhando os animais e fechando nas mangueiras de dois, dos sete retiros da 7 mil.
‘‘Antes disso, vários sem-terra trabalharam na reforma de cercas e de mangueiras’’, informou a coordenação.
Conforme acordo firmado entre líderes do acampamento com o chefe do núcleo regional da Seab, Richard Golba, e veterinários do Departamento de Defesa Sanitária Animal (DSA) os animais serão vacinados, a partir de hoje, nas mangueiras dos retiros Canadá e Corimba.
O principal líder do acampamento, identificado apenas pelo nome de ‘‘Joãozinho’’, admitiu ontem que existe mesmo muita dificuldade de arrebanhar o gado em alguns setores da fazenda. Segundo ele, existem áreas onde o terreno é muito acidentado e os animais estão muito arredios.
O número de animais existentes na 7 mil continua sendo alvo de divergência entre o proprietário da fazenda, Flávio Pinho de Almeida e os sem-terra. Na avaliação de Almeida existem de 5 mil a 6 mil animais (nelore), enquanto os sem-terra garantem que o rebanho remanescente é de apenas 700 cabeças. Na última vacinação feita por veterinários da Seab, em setembro de 2000, foram imunizados 1.717. Depois disso, conforme sustenta o MST, cerca de mil animais forma soltos por estradas da região, sendo recolhidos pelo proprietário da fazenda.
Se a aftosa voltar ao Paraná a partir de um foco da ‘‘7 mil’’, o empresário e fazendeiro Flávio Pinho de Almeida, diz que irá responsabilizar o Governo do Estado. A justiça determinou a reintegração de posse da propriedade há mais de três anos, mas, até agora, o Estado deixou de cumprí-la com sua força policial.

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