'Fico envergonhado ao ver que aceitaram isso'
O ex-presidente da Copel em 1993 e 1994, João Carlos Cascaes, diz que o grande número de parcerias feitas pela Copel seriam 29, no total assustou os candidatos a participar dos dois leilões de privatização da companhia. ''Os grandes grupos econômicos ficam de um a dois anos estudando minuciosamente antes de investir grandes quantias. Imagine como analisariam quase 30 contratos em um prazo tão curto quanto foi o tempo de consulta ao data-room?'', pergunta.
Ele acredita que as altas multas para a rescisão dos contratos, firmados nos últimos anos, também afugentaram os interessados na empresa. ''Mesmo que essas indenizações sejam contestadas, acabariam se transformando em pendências jurídicas. As empresas certamente levaram isso em conta no momento de se decidirem'', afirma.
Cascaes diz que as parcerias deveriam ter sido feitas com maior transparência, pois nem passaram por discussões na Assembléia Legislativa. ''Foram muito mal conduzidas. Fico envergonhado em ver que antigos funcionários da Copel aceitaram participar disso'', diz.
Além dos contratos, ele acredita que os atentados contra os Estados Unidos em setembro e as eleições no próximo ano prejudicaram o leilão. ''O que precisa ser feito agora é rediscutir as finalidades e a atuação da Copel. Ela é o único instrumento de desenvolvimento que sobrou ao Estado e não pode ser inviabilizada'', defende.





