Fibra da bananeira é fonte de renda
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domingo, 26 de setembro de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A simplicidade da bananeira que brota em qualquer lugar deste País é a maior alida da Associação de Mulheres do Patrimônio Selva (distrito de Londrina). Com a fibra extraída do tronco, elas confeccionam souvenirs que, aos poucos, ganham mais prateleiras em todo Brasil.
A última e segunda maior encomenda recebida será entregue hoje (segunda-feira) à Dixie Toga (empresa de embalagens plásticas com sede em Londrina). A empresa comprou 90 bolsas para presentear suas secretárias incluindo as dos clientes que serão homenageadas no próximo dia 30 (Dia da Secretária). Isto significará R$ 2.250,00 que serão rateados entre as 17 pessoas que participaram do mutirão. ''É uma maneira de incentivar a preservação da natureza e a geração de renda'', disse Daniela Lopes, coordenadora de comunicação da Dixie.
Segundo Maria José Teixeira Lopes, 54 anos, idealizadora e líder da Associação, cerca de 70 pessoas fazem parte do grupo que é composto basicamente por mulheres. A partir da fibra elas produzem, por enquanto, cestos, caixinhas para presente, porta-jóias, vasos e jogos americanos. Na cozinha comunitária são pães, bolos, doces, bolachas, etc. ''Nem sempre temos trabalho para todos porque dependemos muito das encomendas. Mas, pelo menos, 10 pessoas são recrutadas por mês'', disse Maria José, que há 10 anos fundou a Associação e há três dedica-se inteiramente à fibra de bananeira.
Para produzir uma bolsa, elas investem de R$ 15,00 a R$ 18,00, dependendo da alça. No varejo, o produto não sai por menos de R$ 25,00 e, de acordo com Maria José, a procura é constante. Como líder do grupo, ela é convidada a participar de eventos o ano inteiro e a cada viagem dissemina um pouco mais seu conhecimento. ''Já sugeriram que eu patenteasse a bolsa, mas eu não quero. Prefiro dividir essa técnica e ajudar outras pessoas'', afirmou Maria José, que aprendeu a arte de manusear a fibra em Curitiba.
Os mais experientes levam, aproximadamente, cinco horas para tecer uma bolsa (exceto a costura do forro e a inclusão da alça) e recebem entre R$ 50,00 e R$ 60,00 por mês. Durante a colheita, é mais difícil arrebanhar as pessoas porque todas as famílias sobrevivem da agricultura. O Patrimônio Selva faz parte da zona rural e a habilidade manual é, praticamente, inata ao homem do campo.
Entre as exceções está Zilda Godoy, 50 anos, que há três anos 'quebra a cabeça' para aprender os laços e nós da trama. ''Sei cozinhar e bordar, mas falta jeito para lidar com a fibra. Acredito que meu marido terá mais facilidade'', prevê a dona de casa que entrou no grupo a exemplo do filho. A prova de que arte manual não é coisa de mulher é o crescimento do interesse dos meninos. Luiz Fernando Volsi, 16 anos, participa da Associação há um ano durante os contraturnos escolares. Segundo ele, está difícil encontrar emprego na cidade e essa foi uma alternativa. O garoto João Francisco Aranda Costa, 11 anos, segue os passos da mãe e da irmã, Samara. ''Em casa, não temos o que fazer a não ser assistir televisão. Aqui, pelo menos, estamos aprendendo alguma coisa útil'', explicaram as crianças.


