Fiat ultrapassa VW em vendas
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaNa fila de esperaRevendas têm, juntas, um estoque de 90 mil veículos nos pátios, o suficiente para 23 dias de vendasA Volkswagen caiu para o terceiro lugar do mercado de automóveis e comerciais leves no varejo em dezembro e a Fiat assumiu pela primeira vez a liderança nos dois segmentos de veículos. A diferença entre os percentuais de participação da segunda colocada - General Motors - para a ex-líder, Volkswagen, é mínima, de apenas 0,2%. Mas reflete a crise em que a maior montadora do Brasil mergulhou.
A venda de carros de passeio e utilitários leves em dezembro garantiu à Fiat a participação de 26,3%, num total de 29.262 unidades. A General Motors ficou com 25,9%, com 28.878. A Volkswagen, com 25,7%, vendeu no varejo 28.568 carros e comerciais leves, seguida apenas pela Ford, com volume de 17.785 unidades e fatia de 16%.
No total, as vendas dos concessionários em dezembro somaram 111.319 unidades, o que representou uma queda de 17,3% em relação a novembro, quando foram vendidos 134.549 veículos dos segmentos automóveis e utilitários leves.
A queda da Volkswagen ocorreu poucos dias depois de a empresa ter anunciado que teria que demitir 10 mil dos 22 mil empregados de São Bernardo do Campo como forma de cortar custos. Até agora as negociações não se encerraram e a empresa abriu programa de demissões voluntárias. A companhia amarga no Brasil perda de competitividade em razão da demora na atualização dos produtos.
A Fiat já vinha liderando o mercado de carros de passeio no varejo por dois meses consecutivos. Agora a montadora italiana assumiu à frente na soma das vendas de utilitários leves.
De modo geral, o comportamento do mercado em dezembro preocupa os concessionários. Eles querem agora que a indústria diminua os volumes. As montadoras têm que rever o ritmo de produção, afirma o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze.
Antes do pacote fiscal as montadoras vinham distribuindo a média de 160 mil veículos novos por mês. Mas, para a Fenabrave, não existe hoje mercado para mais de 130 mil mensais.
Com o fim do período das férias coletivas, que interrompeu a produção em todas as fábricas por no mínimo 10 dias, o setor se depara com estoques ainda altos. O quadro piora diante da expectativa de aumento de preços dos carros da General Motors, que adiou para a próxima semana o repasse da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os preços do Corsa vão subir entre 3% e 5%. (leia mais na página 2)
Em dezembro o setor utilizou as férias coletivas como forma de ganhar tempo e desovar os estoques. Mas a quantidade de carros parada nos pátios das revendas (90 mil) é suficiente para 23 dias de vendas no atual ritmo de demanda. Também no mês passado os fabricantes utilizaram a bonificação como forma de baixar os preços.


