A Fiat Automóveis vai realizar mais uma redução no seu ritmo de produção diária. De hoje até o dia 15 de março a montadora estará trabalhando em apenas dois turnos. Neste período a produção da fábrica, em Betim (MG), cairá dos atuais 2.300 carros/dia para 1.700 carros/dia. Ao todo cerca de 4,5 mil funcionários (20%) que trabalham no turno da meia-noite até 6 horas ficarão de licença remunerada. A empresa explicou que a medida visa evitar demissões.
A licença é uma das mais longas dos últimos tempos - 33 dias -, mas encaixa-se no prazo que a indústria automobilística calcula para que as taxas de juros caiam e o mercado volte a reagir. Segundo fontes da indústria, as montadoras receberam do governo indicações para que evitassem demissões até março, mediante a promessa de que haverá medidas para reverter a contenção no consumo.
Com uma produção menor, a empresa pretende diminuir a quantidade de carros parados nas concessionárias. Com isso, diminuirá o custo dos estoques, já que as altas taxas de juros estão encarecendo o custo de manutenção dos carros parados nas revendas. Os revendedores Fiat têm cerca de 25 mil veículos estocados, suficientes para quase um mês de vendas.
Demissões Esta é a segunda intervenção do ano para reduzir o ritmo da linha de montagem da Fiat. De 26 de janeiro a 4 de fevereiro a empresa deu férias coletivas e a produção ficou praticamente paralisada. Em reunião esta tarde com sindicalistas, na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o diretor de Relações Trabalhistas da Fiat, Osmani Teixeira, explicou que a produção diária de 2.300 carros é ‘‘excessiva’’ diante da atual demanda do mercado.
Férias Outras montadoras também estão reduzindo a produção neste mês. A Ford dará férias coletivas aos funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) entre os dias 16 e 27, período em que deixará de produzir cerca de 6 mil veículos. A Volkswagen deve anunciar nesta semana a suspensão do trabalho em algumas linhas de montagem, entre quatro e oito dias, coincidindo com o feriado de carnaval.
A General Motors informou que vai manter sua programação de produção até março, sem revelar números. Os operários da fábrica de São Caetano do Sul (SP) estão trabalhando 44,5 horas semanais, jornada que poderá ser alterada a cada semana, dependendo da avaliação que a empresa fizer do mercado.
Vendas O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Silvano Valentino, prevê para este mês uma queda de 25% nas vendas em comparação com fevereiro de 1997. No mês passado as vendas no varejo de automóveis e comerciais leves tiveram queda de 23,5% em relação a janeiro do ano passado. Entre veículos nacionais e importados, foram vendidas 110.944 unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

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