O presidente da Fiat do Brasil, Roberto Vedovato, afirmou ontem que a montadora não descarta a demissão de funcionários caso o mercado se mantenha estagnado nos próximos meses. ‘‘Não queremos demitir e não está nos nossos planos, mas é claro que tudo depende do mercado. Até quando podemos garantir o emprego, isso eu não sei’’, afirmou Vedovato, que esteve em Curitiba para acompanhar o presidente mundial da New Holland, Umberto Quadrino.
Em fevereiro foram vendidos 60 mil carros em todo o País, um dos volumes mais baixos dos últimos anos, que deixou as montadoras ainda mais cautelosas sobre a recuperação do setor automotivo. As montadoras apostam na redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) como instrumento para alavancar as vendas, mas para a Fiat a medida é apenas paliativa.
Vedovato disse que não acredita na redução temporária de impostos como alternativa para superar a crise. Ele voltou a defender a implantação do programa de renovação da frota nacional, um projeto que conta com a simpatia do governo federal e com o aval das montadoras. Até mesmo a Volkswagen, que oferecia resistência à proposta, assumiu uma posição favorável frente à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
‘‘Nós acreditamos que a renovação da frota é a única solução estrutural para o setor’’, afirmou o presidente da Fiat do Brasil. Ele disse que além de aumentar as vendas, a retirada dos carros velhos de circulação garante a segurança dos usuários e aumenta a qualidade do meio ambiente.
Instalada no município de Contagem (MG), a Fiat prefere não entrar na briga travada entre o governo de Minas Gerais com o governo federal sobre a questão do setor automotivo. O presidente da Fiat disse ainda que não é possível misturar os dois assuntos. ‘‘Tivemos um encontro com o governador de Minas (Itamar Franco) e ele tem se mostrado solidário a nós. Acreditamos que o governador está consciente e vai procurar a melhor solução para ele e para nós’’, disse Vedovato.Albari RosaFuturo incertoO presidente da Fiat, Roberto Vedovato: ‘‘Até quando podemos garantir empregos eu não sei’’Carmem Murara

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