São Paulo O plano de reestruturação da Fiat, anunciado ontem na Itália, prevê até 2004 o fechamento de 12 estabelecimentos da empresa no mundo, mas nenhum deve ocorrer no Brasil. A Fiat do Brasil informou que ainda não tem informação sobre as unidades que serão fechadas. No entanto, a subsidiária nacional afirma que o plano não prevê mudanças nas unidades fabris localizadas no País, o que torna improvável a extinção de algumas operações. O grupo é o atual líder nas vendas de automóveis no Brasil.
As medidas globais adotadas para cortar despesas vão resultar, entre 2003 e 2006, na demissão de 12.300 pessoas (9.500 no Exterior e 2.800 na Itália). No mesmo período, estão programadas 5.400 admissões (3.800 no Exterior e 1.600 na Itália). Não há garantias de que o Brasil será poupado dos cortes, uma vez que o desempenho da montadora italiana está sujeito à demanda dos mercados regionais. O grupo tem 15 unidades fabris no País, com 20 mil funcionários.
Em comunicado divulgado ontem na Itália, a Fiat informa que vai ''requalificar'' as redes de distribuição de veículos, que poderão contar com cerca de 8 mil concessionárias. Ela prevê a ampliação dessa rede nos mercados emergentes ''de maior potencial'', como o Brasil, a China e a Europa Oriental. Para o reforço das redes comerciais são previstos investimentos de cerca de 700 milhões de euros.
A reorganização vai atingir principalmente a CNH (controlada pelo grupo e resultante da incorporação da New Holland pela Case e Fiat Allis), a empresa de veículos comerciais Iveco e o setor de autopeças. O plano prevê que as despesas sejam reduzidas até 2006 a 12,3% das receitas líquidas, em relação a 14,8% de 2002.
O objetivo do plano é elevar, no final de 2006, a rentabilidade operacional do Grupo Fiat a 4% do faturamento, com melhora de 5,5 pontos percentuais em relação a 2002, quando foi negativo em 1,4%. O grupo Fiat fará um aumento de capital de 1,8 bilhão de euros por meio da emissão de ações.
O grupo realizará investimentos totais de cerca de 19,5 bilhões de euros até 2006. Destes, 9,1 bilhões de euros serão destinados aos novos produtos; 7,9 bilhões de euros à pesquisa e desenvolvimento; 700 milhões de euros nas redes comerciais e 1,8 bilhão de euros nas reestruturações operacionais. Os prazos do plano fixam para 2004 a obtenção de um resultado operacional de equilíbrio (em 2005 para a Fiat Auto), a eliminação das perdas líquidas do grupo em 2005 e lucro em 2006 (resultado líquido em equilíbrio em 2006 para a Fiat Auto).
O plano prevê incremento dos recursos destinados às atividades de pesquisa e de desenvolvimento e às estruturas internas de marketing e de venda. A Fiat vai investir em novos motores. Na Fiat Auto, será incrementada a quota dos veículos a diesel, em forte expansão na Europa. O grupo informou que dedicará ''grande empenho'' no desenvolvimento veículos com o impacto ambiental mínimo, para atender as cada vez mais restritivas leis ambientais da Europa.
Entre os aspectos fundamentais do plano está a revisão da estrutura dos custos, que serão reduzidos em 3,1 bilhões de euros, em grande parte a partir de 2004. Outras economias no valor de cerca de 400 milhões de euros serão obtidas com a contenção dos custos.

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