Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso desautorizou ontem à noite o aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobrás às distribuidoras.
‘‘Esse aumento não chegou a tramitar pela presidência da Petrobrás, nem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), nem pelo Ministério das Minas e Energia e, por essa razão, não havia chegado ao conhecimento do presidente da República’’, disse o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola.
Com isso, segundo o porta-voz, o aumento médio de 2,2% do combustível nas refinarias, anunciado pela estatal, está suspenso. De acordo com Parola, o presidente considera que o reajuste é desnecessário.
Não é a primeira vez que o presidente se envolve com a questão dos combustíveis. No final do ano passado, Fernando Henrique fez questão de anunciar pessoalmente que a gasolina teria uma queda de 20% a partir do início deste ano, em consequência da mudança das regras de tributação do produto e da criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
A redução acabou não ocorrendo na proporção esperada pelo presidente, o que levou o governo a acionar os órgãos de fiscalização do governo para combater a alegada formação de cartéis de postos de gasolina.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o reajuste que a Petrobras havia anunciado, se justificaria por causa da variação do preço do petróleo no mercado internacional e da taxa de câmbio.
Neste ano, o preço do barril tipo brent subiu 2,81%. Ontem, fechou a US$ 20,87 para contratos de abril, alta de 0,24% sobre ontem.
O dólar tem alta acumulada de 4,88% em 2002 - ontem, fechou a R$ 2,427, recuo de 0,2%.
O reajuste nas bombas, entretanto, não será tão imediato quanto nas refinarias. Motivo: os postos têm estoques médios para dois ou três dias. As distribuidoras aguentam uma semana.
Antes de tomar conhecimento do veto ao aumento, o presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia, disse esperar que ‘‘desta vez a imprensa e o governo não voltem a acusar de vilões os revendedores de combustíveis, responsabilizando-os pelos aumentos de preço, como sempre ocorre’’.
Gouveia diz que, se houver um aumento, não será por recomposição de margem, mas sim pela alta de custo devido ao reajuste.

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