FHC vai trocar 2º escalão da Agricultura
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quarta-feira, 21 de abril de 1999
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu mudar todo o segundo escalão do Ministério da Agricultura, numa tentativa de alterar uma estrutura considerada velha e viciada pelo Palácio do Planalto. A prioridade que o governo quer dar à área agrícola - como o setor econômico que mais tem condições de responder ao desafio de ampliar o superávit comercial brasileiro - depende, em grande parte, dessas alterações, na avaliação de fonte ligada ao presidente.
A tese do Planalto é de que é preciso trocar todo mundo, afirmou a fonte. O ministro Francisco Turra, que assumiu o cargo em substituição ao ex-ministro Arlindo Porto, ficará por enquanto. O Planalto vai dar-lhe um tempo para ver se ele consegue apresentar um bom trabalho com a equipe renovada. Todas as mudanças, no entanto, estão sendo definidas diretamente pelo Palácio do Planalto e deverão ser anunciadas nos próximos dias.
O novo secretário-executivo do Ministério da Agricultura será Celso Matsuda, ex-presidente da Ceagesp e ex-vereador de São Paulo, que foi consultor da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Considerado uma pessoa de mercado e um grande técnico no setor, Matsuda vai substituir o secretário Ailton Barcellos, desgastado no Palácio em função de denúncias de desvio de dinheiro no programa de Fruticultura Irrigada do Nordeste, coordenado por ele. Existe uma comissão de sindicância em curso no Ministério da Agricultura para apurar essas denúncias.
O atual secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, será substituído pelo chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Luiz Carlos de Oliveira. Apesar de Ênio Marques ser reconhecido como um técnico competente, o governo entende que é preciso fazer mudanças na área de defesa agropecuária, alvo de inúmeras denúncias de corrupção de funcionários que cuidam dos registros de produtos, importação e exportação de produtos.
O ex-governador do Rio Grande do Sul Vicente Bogo deverá substituir Murilo Flores no cargo de secretário de Desenvolvimento Rural. Ontem à tarde Vicente Bogo, que foi convidado para o cargo pelo próprio presidente Fernando Henrique, tinha um encontro com o ministro-chefe da Casa Civil.
O atual secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa, também deverá ser substituído, apesar da insistência de Turra para mantê-lo no cargo. O governo entende que o ministério precisa de um especialista que consiga articular-se bem com a área econômica. O maior drama do Brasil hoje não é a falta de uma política agrícola, mas o fato de a agricultura não estar inserida na política econômica, disse a fonte.
As mudanças deverão atingir ainda a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que voltou a ser alvo de inúmeras denúncias de corrupção. O ministro Francisco Turra trabalha para colocar o secretário Benedito Rosa no cargo, se tiver que tirá-lo da Secretaria de Política Agrícola, mas o Planalto busca outros nomes.


