O Diário Oficial da União publicou ontem decretos do presidente Fernando Henrique Cardoso alterando praticamente todo o segundo escalão do Ministério da Agricultura. Foram exonerados dos cargos o secretário-executivo, Ailton Barcelos, os secretários de Política Agrícola, Benedito Rosa e de Desenvolvimento Rural, Murilo Flores e ainda o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, além de outros funcionários.
Ailton Barcelos, que foi exonerado a pedido, vai para a Câmara de Comércio Exterior (Camex) ligada à Casa Civil da Presidência da República. Ontem à tarde, ainda no gabinete da secretaria-executiva do Ministério da Agricultura, ele disse que em 60 dias pretende viabilizar a criação da Agência Brasileira do Agronegócio, proposta pelo Fórum Nacional da Agricultura, com o objetivo de contribuir para o aumento das exportações agrícolas nacionais de US$ 19 bilhões para US$ 45 bilhões.
O novo secretário de Política Agrícola do Ministério será Ibraim Faiad, assessor especial do governador do Paraná, Jaime Lerner, que o indicou para o cargo. Seu antecessor, Benedito Rosa do Espírito Santo, passará a presidir a Conab no lugar de Eugênio Stefanelo. Para a secretaria de Desenvolvimento Rural foi nomeado interinamente Rinaldo Junqueira, assessor do ministro Francisco Turra. Ele não deverá ser efetivado no cargo, cuja indicação definitiva está sendo negociada com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Não houve indicação para a secretaria-executiva, cargo que será acumulado, por enquanto, pelo ministro Francisco Turra.
As mudanças no Ministério da Agricultura vinham sendo articuladas no Palácio do Planalto há mais de um mês, e ainda assim, pegaram de surpresa Eugênio Stefanelo, que estava em trânsito para Brasília, onde tinha várias reuniões agendadas na Conab à tarde. ‘‘Nem sei o que dizer’’, declarou. As mudanças do segundo escalão - iniciadas há duas semanas com a substituição de Ênio Marques por Luiz Carlos de Oliveira na secretaria de Defesa Agropecuária - poderão esvaziar as denúncias de irregularidades na celebração de convênios, principalmente no que se refere ao Programa de Apoio e Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada do Nordeste.
Existe uma sindicância em curso no Ministério que já constatou irregularidades no repasse de R$ 7,8 milhões do programa de fruticultura no ano passado. Deputados do Partido dos Trabalhadores também entraram com representação no Ministério Público pedindo abertura de ação para apurar as irregularidades do programa.
O ex-secretário de Desenvolvimento Rural Murilo Flores, que foi apontado como um dos suspeitos de irregularidades no programa, negou ontem qualquer informação. Disse que não há nada que prove que o Comitê Gestor do Programa de Fruticultura - presidido pelo ex-secretário Ailton Barcelos - tinha algum acordo com as empresas de consultoria que foram favorecidas com o dinheiro dos convênios. ‘‘A comissão de sindicância nunca apurou um acordo, até porque não tinha alcance para isso, mas também não estou dizendo que não hᒒ, disse.

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