FHC sinaliza nova queda do juro
FHC sinaliza nova queda do juro
Agência Estado
Pela primeira vez o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a decisão do Banco Central, de aumentar a margem para a variação do câmbio, foi tomada para permitir a queda dos juros. Ele deu pouca importância às previsões de vários economistas de que o Brasil não poderá reduzir suas altas taxas de juros nos próximos dois anos porque precisa evitar a fuga de capitais e assegurar a estabilidade do real, diante da contínua crise financeira asiática.
Quem acredita em previsões de economistas?, perguntou aos jornalistas, com quem conversou depois do banquete oferecido na terça-feira à noite em homenagem ao presidente da Índia, Shri Narayanan. Eu sou sociólogo e por isso (o Plano Real) deu certo, acrescentou.
Fernando Henrique repetiu o que vem dizendo há meses: Os juros têm que cair sim, mas com responsabilidade. Essa foi a primeira vez que admitiu que a mudança anunciada no último dia 30 pelo Banco Central, na intrabanda cambial, teve como propósito reduzir as altas taxas de juros.
Na quinta-feira passada o BC anunciou o início desse processo de alargamento do intervalo entre o piso e o teto da intrabanda cambial - ou seja, do espaço para a flutuação do câmbio. Até agora, a diferença entre o limite mínimo e máximo estava em 0,44%. A idéia é que chegue a 1% em um ano e fique entre 2,5% e 3% no prazo de três anos, com desvalorizações menores para o piso e maiores para o teto.
Na ocasião, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto negou que a medida tivesse sido tomada para permitir uma queda de juros. Segundo ele, a política cambial continuará a mesma.





