Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso vai empenhar-se pessoalmente para garantir a queda do preço da gasolina. Ele convocou para ontem uma reunião no Palácio do Planalto para discutir por que o preço ao consumidor não caiu 20%, como havia anunciado no dia 20 de dezembro. A redução média de 8% constatada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) não é considerada suficiente pelo governo.
A idéia é fazer com que a BR Distribuidora, ligada à Petrobras, adote uma estratégia para forçar os concorrentes a reduzir seus preços. No ano passado, quando também houve corte no preço do combustível, a rede BR baixou seus preços, obrigando a concorrência a fazer o mesmo.
Participaram da reunião, além do presidente, os ministros de Minas e Energia, José Jorge, e da Casa Civil, Pedro Parente, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, e representantes da Petrobras, da BR Distribuidora e da ANP.
Hoje começa a ser atacada uma das causas do atraso na queda dos preços: a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pelos Estados, sem levar em conta a redução de 25% ocorrida nos preços das refinarias. Técnicos das secretarias estaduais de Fazenda se reúnem para preparar a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), marcada para esta sexta-feira.
Os secretários de Fazenda, membros do Confaz, estão levantando os preços cobrados nos postos em seus Estados para diminuir a base de cálculo do ICMS. Com isso, é provável que os consumidores passem a pagar menos pela gasolina, pois os postos tendem a recolher menos impostos e, por isso, terão mais espaço para cortar preços. A queda variará de Estado para Estado.
Técnicos do governo estão convencidos de que os preços da gasolina podem cair 20% em relação ao cobrado no final de 2001 baseados num cálculo simples. Em 1º de janeiro, as refinarias cortaram seus preços em 25%. Um levantamento feito pelo governo mostra que o combustível representa 80% dos custos de funcionamento de um posto de gasolina.
Calculando-se 80% dos 25% de redução nas refinarias, chega-se à queda de 20% para o consumidor. Se a queda ainda está menor, acreditam os técnicos, isso significa que algum elo da cadeia de comercialização está se apropriando de parte da redução do preço ocorrida nas refinarias.

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