O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou ontem a medida provisória que destina R$ 2,1 bilhões para a reestruturação de 439 cooperativas agropecuárias que foram pré-selecionadas no Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). Os recursos são destinados a novos investimentos e pagamentos de impostos e dívidas junto a fornecedores. Agora as cooperativas deverão preparar projetos de viabilidade econômica para ter acesso aos financiamentos, com prazos de 15 anos e dois de carência, em média, e juros correspondentes ao IGP-DI mais 4% ao ano, o que representa, hoje, cerca de 7,5%.
Além dos recursos novos, o governo autorizou o refinanciamento das dívidas das cooperativas agropecuárias estimadas em cerca de R$ 900 milhões. O presidente também anunciou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Cooperativista, o Sescoop, destinado a capacitação profissional dos cooperados.
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, considerou a criação do Sescoop como uma das mais importantes medidas anunciadas. ‘‘Os recursos humanos são fundamentais no cooperativismo e esse novo serviço representa a chance de uma revolução no setor’’, avaliou.
Apesar de expecttiva do setor não ter sido atingida, já que esperava R$ 3,8 bilhões, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasquale, disse que as medidas anunciadas vão dar uma nova vida ao sistema cooperativista do Brasil. Segundo ele, cerca de 50 mil novos empregos deverão ser criados com a reestruturação das cooperativas.
‘‘Assim como os planos econômicos do passado nos afundaram, o presidente Fernando Henrique nos tirou do buraco. Isto era exatamente o que queríamos’’, afirmou. Dalpasquale lembrou que o sistema cooperativista responde por 30% da produção total de alimentos do País e deve exportar US$ 1,7 bilhão no ano que vem. As 439 cooperativas enquadradas no Recoop têm cerca de 620 mil associados, 88 mil empregados e 3,5 milhões de familiares.
O presidente da Frente Parlamentar Cooperativista, deputado Carlos Melles (PFL-MG), disse que com as medidas do Recoop o presidente Fernando Henrique está fechando o passado de endividamento da agricultura. O presidente ressaltou que nos três anos e meio de governo está reconstruindo as bases para que o País possa voltar a produzir.
Mais uma vez o presidente insistiu na necessidade de transformar os sem-terra em produtores rurais e na convergência do Procera com o Pronaf, programas que atendem respectivamente aos assentados da reforma agrária e aos pequenos produtores rurais. Fernando Henrique lembrou que 212 cooperativas agropecuárias foram excluídas do Recoop e que o programa não é uma ‘‘liberalidade’’ do governo. ‘‘Temos a responsabilidade da reconstrução do País.

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