O presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma virada na estratégia para poupar energia elétrica e anunciou ontem que o governo vai conceder incentivos ao consumidor que poupar energia. Ao invés de aplicar multas ao usuário que não conseguir cumprir as metas de racionamento de energia, a União dará um desconto nas contas de luz para aqueles que tiverem sucesso no esforço de gastar menos energia elétrica. ‘‘As pessoas que pouparem terão uma certa redução na sua conta de energia elétrica, além do já reduzido’’, avisou o presidente. ‘‘A multa está afastada’’, frisou.
Segundo ele, não seria justo o governo federal penalizar o consumidor, sobretudo aqueles que tenham feito esforços para reduzir seu gasto, ou ainda, aqueles situados nas classes sociais de mais baixa renda. O formato do incentivo será definido hoje, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética. ‘‘Nós vamos mudar o modo de encarar essa questão, porque nós precisamos da solidariedade do País para resolver um problema que é nosso, de todos nós’’, justificou Fernando Henrique. ‘‘É do governo, é das empresas, mas é do consumidor também’’, acrescentou.
O presidente frisou, entretanto, que o estabelecimento de incentivos não elimina a necessidade de cortes no consumo, mas apostou que um maior empenho na poupança de energia poderá reduzir o tamanho do racionamento. A decisão da criação de um incentivo foi anunciada no início da noite no Palácio do Planalto, após longa reunião com o ministro das Minas e Emergia, José Jorge, e o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn. Durante o encontro, o presidente ouviu de seus colaboradores um longo diagnóstico sobre a situação do setor.
Em seu pronunciamento, ele explicou que a necessidade de medidas de racionamento de energia resultam da falta de chuvas este ano. Fernando Henrique aproveitou para esclarecer o que qualificou como informações desencontradas e defender seu governo. Segundo ele, o problema brasileiro não é de potência energética, mas sim, de falta de combustível para operar as máquinas.
‘‘O investimento caiu muito nos governos Collor e Itamar, mas foram recuperados no meu governo e continuam em recuperação’’, ressaltou. ‘‘Estamos pagando o preço da imprevidência ou da impossibilidade, por razões econômicas, de investimentos no passado’’. O presidente admitiu que, adiantada a estiagem, os reservatórios de água não estão em condições de garantir o pleno abastecimento de energia ao longo de todo o ano.

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