FHC receberá documento pelo gasoduto
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Luciane Tonon 
Prefeitos, empresários e políticos do Sul de São Paulo e Norte do Paraná estiveram reunidos ontem em Ourinhos (SP) na tentativa de antecipar a vinda para a região do ramal de gás natural - o gasoduto Bolívia/Brasil. Os líderes regionais visam a abertura de novas indústrias e geração de empregos. Eles elaboraram um documento para ser entregue em mãos ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
O uso do gasoduto vai ter que acontecer de qualquer forma, só queremos antecipar o desenvolvimento e mudar a realidade das nossas cidades, disse o prefeito de Ourinhos e coordenador do evento, Toshio Misato. Segundo ele, qualquer indústria para entrar no chamado Primeiro Mundo precisa de controle de qualidade, como o ISO 14000. E para isso tem que estar no rastro do gasoduto.
O diretor da região Sul do País do Transporte Brasileiro de Gasoduto (TBG), Arno Duarte Filho, explicou que o fato de ser uma energia limpa e disponível; permitir amplo potencial de crescimento industrial e não necessitar de grandes espaços para armazenamento, o gasoduto é um dos protagonistas para a fixação de empresas. É uma despreocupação para o empresário e garantia de economia. Porém é pouco conhecido, afirmou Duarte Filho.
Segundo ele, o gás natural ocupa de 1% a 2% do consumo energético hoje no País. Até a próxima década este percentual deverá crescer para 12%, estimou. A região da grande São Paulo foi a primeira a receber esta nova alternativa em 1988. Hoje a bacia de Santos é uma grande usuária. A modernização e o surgimento de novas utilizações, resultará num aumento significativo da participação do gás natural na matriz energética nacional, acrescentou Duarte Filho. Ele disse ainda que o governo federal fez uma recente estimativa de que até o final deste século, o País poderá ter uma frota de 300 mil automóveis movidos a gás natural.
Apesar de ainda ter baixo consumo de gás natural, cerca de 250 mil metros cúbicos, o Norte do Paraná, através de seus representantes, está empenhado em viabilizar o ramal de gasoduto. Temos consciência que para o progresso da região e preservação do nosso meio ambiente, precisamos do gasoduto. E para isso dependemos do empenho político, econômico e industrial, disse o presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná e prefeito de Bandeirantes, Lino Martins. Segundo ele, para conseguir o ramal, a região precisaria consumir pelo menos 1 milhão de metros cúbicos de gás natural.
Esta quantia não é impossível de se consumir. Basta o empenho de cada um de nós, comentou o prefeito de Cornélio Procópio, José Antônio Otoni da Fonseca (PMDB), que também lidera o movimento pelo ramal. A próxima etapa de discussão sobre o gasoduto deverá ser sediada em Cornélio Procópio.


