Prefeitos, empresários e políticos do Sul de São Paulo e Norte do Paraná estiveram reunidos ontem em Ourinhos (SP) na tentativa de antecipar a vinda para a região do ramal de gás natural - o gasoduto Bolívia/Brasil. Os líderes regionais visam a abertura de novas indústrias e geração de empregos. Eles elaboraram um documento para ser entregue em mãos ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘O uso do gasoduto vai ter que acontecer de qualquer forma, só queremos antecipar o desenvolvimento e mudar a realidade das nossas cidades’’, disse o prefeito de Ourinhos e coordenador do evento, Toshio Misato. Segundo ele, qualquer indústria para entrar no chamado Primeiro Mundo precisa de controle de qualidade, como o ISO 14000. ‘‘E para isso tem que estar no rastro do gasoduto’’.
O diretor da região Sul do País do Transporte Brasileiro de Gasoduto (TBG), Arno Duarte Filho, explicou que o fato de ser uma energia limpa e disponível; permitir amplo potencial de crescimento industrial e não necessitar de grandes espaços para armazenamento, o gasoduto é um dos protagonistas para a fixação de empresas. ‘‘É uma despreocupação para o empresário e garantia de economia. Porém é pouco conhecido’’, afirmou Duarte Filho.
Segundo ele, o gás natural ocupa de 1% a 2% do consumo energético hoje no País. ‘‘Até a próxima década este percentual deverá crescer para 12%’’, estimou. A região da grande São Paulo foi a primeira a receber esta nova alternativa em 1988. Hoje a bacia de Santos é uma grande usuária. ‘‘A modernização e o surgimento de novas utilizações, resultará num aumento significativo da participação do gás natural na matriz energética nacional’’, acrescentou Duarte Filho. Ele disse ainda que o governo federal fez uma recente estimativa de que até o final deste século, o País poderá ter uma frota de 300 mil automóveis movidos a gás natural.
Apesar de ainda ter baixo consumo de gás natural, cerca de 250 mil metros cúbicos, o Norte do Paraná, através de seus representantes, está empenhado em viabilizar o ramal de gasoduto. ‘‘Temos consciência que para o progresso da região e preservação do nosso meio ambiente, precisamos do gasoduto. E para isso dependemos do empenho político, econômico e industrial’’, disse o presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná e prefeito de Bandeirantes, Lino Martins. Segundo ele, para conseguir o ramal, a região precisaria consumir pelo menos 1 milhão de metros cúbicos de gás natural.
‘‘Esta quantia não é impossível de se consumir. Basta o empenho de cada um de nós’’, comentou o prefeito de Cornélio Procópio, José Antônio Otoni da Fonseca (PMDB), que também lidera o movimento pelo ramal. A próxima etapa de discussão sobre o gasoduto deverá ser sediada em Cornélio Procópio.

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