BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso saiu ontem em defesa da política econômica do governo, rebateu críticas e garantiu que não haverá mudanças bruscas no cenário. ‘‘O mundo de hoje não pode ser fechado. O Brasil não pode ficar fechado às importações. Vamos aumentar o mercado interno e as exportações’’, afirmou, durante solenidade em que a General Motors anunciou novos investimentos no País. ‘‘Quem é míope só vê o momento. Não vê o processo. É muito fácil fazer críticas superficiais.’’
‘‘Essas críticas enchem as páginas dos jornais mas não enchem a barriga do povo’’, acusou o presidente, referindo-se aos opositores à sua política econômica. ‘‘Nós estamos vivendo uma nova era. Na revolução industrial as pessoas quebravam as máquinas porque achavam que elas geravam desemprego. Alguns querem quebrar a máquina de novo, de outra maneira, porque acham que vai gerar desemprego também’’, comparou. Para ele, o que gera desemprego é a falta de dinamismo e da capacidade de redução do custo Brasil.
FHC reafirmou que o País não passa por uma recessão. ‘‘Ao contrário das críticas, o Brasil não está vivendo recessão. Estamos apenas controlando o ritmo do crescimento para não causar danos à economia e manter a estabilidade da moeda, que é fundamental para a população’’.
Malan faz coro - O Brasil está entrando em uma nova fase do Plano Real, segundo o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Para ele, o País está iniciando ‘‘um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social sustentado’’. Malan disse ontem, no Rio, que os indicadores sociais do IBGE e do Ipea mostram o crescimento do número de famílias que deixaram a linha de pobreza.
Para ele, essas pesquisas ‘‘falam por si’’. O ministro creditou à inflação baixa durante os dois anos do Plano Real a entrada nessa nova fase. ‘‘O passar do tempo se encarregará de mostrar o erro dessa crítica fácil que frequentemente nos é colocada, que o governo tem como único propósito o controle da inflação em detrimento de todos os demais’’.
Malan disse que o governo ‘‘não vai abrir mão do combate à inflação e da tentativa de mantê-la a níveis civilizados, ou seja, 10% ao ano, por um período até onde a vista alcança’’. Segundo ele, a média dos quatro principais índices de inflação será de ‘‘10% ou mesmo ligeiramente abaixo’’.

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