O presidente Fernando Henrique Cardoso avisou ontem que não está pensando em privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, numa reação a pressões veladas do Fundo Monetário Internacional para que isto seja feito. Fernando Henrique Cardoso aproveitou solenidade ontem no Palácio do Planalto para avisar publicamente: ‘‘Quem decide isso somos nós’’. Segundo Fernando Henrique, o governo adotará medidas para racionalizar os serviços destas entidades, ‘‘com pressa, mas sem açodamento e com horror a soluções de bolso de colete, que dizem: resolve-se assim’’.
A afirmação foi feita depois que o presidente classificou como ‘‘precipitação infundada’’ a defesa de privatização da Caixa. Segundo o presidente, antes de propor uma medida dessa natureza é preciso primeiro entender melhor as funções da CEF e racionalizar suas tarefas.
‘‘É muito cedo para estar pensando em idéias que não têm enraizamento na prática de um país como o nosso’’, disse Fernando Henrique, ressaltando: ‘‘Quem fala não é uma pessoa que tem ojeriza às privatizações, mas tem ojeriza às precipitações infundadas e à idéia de que, de repente, uma solução mágica resolve tudo’’.
No final da tarde, o porta-voz Sergio Amaral afirmou que o presidente não tinha conhecimento das declarações do diretor-gerente do FMI, Michel Candessus, que elogiou a criação do comitê gerencial das instituições financeiras públicas federais. O porta-voz acentuou ainda que para o presidente, não há inconveniente que organismos internacionais manifestem suas opiniões, só que este é um assunto interno e o governo brasileiro já tomou a sua decisão: ‘‘Não está cogitando privatizar nem a Caixa Econômica e nem o Banco do Brasil’’.
Fernando Henrique disse que os que defendem hoje a transferência para o setor privado das instituições financeiras como a CEF são ‘‘precipitados’’ porque ‘‘pensam que os problemas se resolvem com a privatização’’. ‘‘Nós temos que ver o que temos em nossas mãos, temos que melhorar, que racionalizar o uso’’, ponderou o presidente, depois de reconhecer que existe duplicação de serviços entre o Banco do Brasil e a CEF.Wilson Pedrosa/Agência EstadoSolenidadeFHC entre o secretáário de Habitação, Sérgio Cutolo (esq.) e o presidente da CEF, Emílio CarazzaiAgência Estado

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