O presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu ontem às críticas dos empresários à política econômica e avalizou o rumo estabelecido pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. ‘‘As políticas que vêm sendo praticadas pela área econômica e pelo BC são políticas do presidente, que foi eleito exatamente para colocá-las em prática’’, disse o porta-voz, Sergio Amaral.
A declaração significa um sinal de apoio ao ministro Pedro Malan e ao presidente do BC, Gustavo Franco, alvos frequentes de críticas de líderes empresariais e
até de integrantes do governo. A CNI (Confederação Nacional da Indústria), de onde partiram as principais críticas ontem, já reconhece que o ministério que será criado pelo governo para incentivar o desenvolvimento e a produção ficará subordinado à política da equipe econômica, que prioriza o controle da inflação.
Depois de se reunir ontem com FHC, o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), abrandou as críticas a Franco, tido como um dos principais opositores da política de desenvolvimento reivindicada pelos empresários. ‘‘A CNI não tem a proposta de querer a cabeça do presidente do BC’’, afirmou Bezerra. Antes, em uma solenidade na CNI, Bezerra havia afirmado que ‘‘o pessoal de São Paulo é que quer tirá-lo’’ , referindo-se a Franco.
No encontro com o presidente, Bezerra foi informado de que a nova pasta irá se chamar Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, e não mais Ministério da Produção. O perfil do ministério frustra as expectativas do empresariado, que luta pela criação de uma pasta que significasse um contraponto à Fazenda e ao BC. ‘‘É preciso ter alguém que se contraponha a isso (à política que prioriza a estabilidade), mas não existe’’, disse Bezerra, antes de se reunir com FHC.

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