Arquivo FolhaAcordo geralFernando Henrique diz que só entendimento entre governo, patrões e empregados poderia mudar a legislaçãoSÃO PAULO - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que há condições de se diminuir a jornada de trabalho no Brasil, para criar empregos, e quer que esta redução derive de um entendimento entre governo, empresários e trabalhadores. O presidente fez a defesa da redução de jornada na sede da Força Sindical, em São Paulo, em resposta à idéia apresentada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, de que haja um entendimento nacional.
Segundo o sindicalista, o governo poderia reduzir impostos cobrados de empresas, e os empresários, em contrapartida, poderiam diminuir o tempo semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, e em troca os trabalhadores aceitariam a adoção de jornadas flexíveis.
Fazia 30 anos que um presidente da República não visitava uma entidade de trabalhadores, segundo o presidente da Força Sindical, Luiz Antonio de Medeiros. Fernando Henrique, que hoje será recebido na Ford, em São Bernardo do Campo, com uma greve de trabalhadores - 500 cartazes de protesto ao governo afixados nas linhas de montagem e manifestações de rua -, fez críticas aos que hoje dirigem a ele ‘‘palavras nada agradáveis’’.
Para o presidente, essas pessoas se esqueceram do que é uma ditadura. ‘‘Talvez muitos dos que hoje estão em São Bernardo tenham se esquecido dos governos que não os esperavam com palavras, mas sim com bombas’’, disse. Fernando Henrique disse ainda que os que o desrespeitam estão na verdade desrespeitando ‘‘o símbolo do Brasil’’ e, portanto, a si próprios. Fernando Henrique foi interrompido várias vezes por aplausos dos mais de mil sindicalistas que lotaram a platéia da Força Sindical.

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