SALÁRIO FHC quer anunciar teto de servidores e mínimo em abril Agência Estado De Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso pretende hoje, em reunião com os chefes dos três Poderes, fechar um acordo político para que o teto do funcionalismo e o reajuste do salário mínimo sejam anunciados simultaneamente em abril. Interlocutores do presidente acreditam que o mínimo deve ficar entre 160 e 165 reais. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu ontem a fixação do teto em R$ 10.800,00, que coincide com a posição de Fernando Henrique. O senador mostrou-se mais flexível quanto à definição de um limite para os vencimentos dos servidores públicos. ACM sempre foi contrário à definição do teto do funcionalismo, alegando que isso poderia provocar a elevação dos salários dos juízes. O senador esteve anteontem com Fernando Henrique, antes do embarque dele para o Uruguai, de forma a tentar fechar um acordo que encerre as divergência entre os poderes. O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, enviou hoje um fax ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, que estará presente na audiência, dizendo que as críticas feitas ontem por Fernando Henrique não foram dirigidas ao Supremo. Essa seria uma tentativa para melhorar o clima de tensão entre os poderes. Assessores ligados ao presidente, no entanto, comentavam hoje que o encontro será marcado por um ambiente de difícil negociação. Hoje, por meio de interlocutores, o presidente sinalizou para a possibilidade de o teto chegar a R$ 12.700,00, desde que cada poder fixe o limite. Mesmo neste caso, o teto do Executivo ficaria em R$ 10.800,00. ACM voltou a dizer que é ‘‘inflexível’’ com relação ao reajuste do mínimo para 177 ou 180 reais. ‘‘Mas isso não quer dizer que o governo vai acatar.’’ O presidente do Senado reiterou que vai defender, durante o encontro, o aumento do mínimo antes do acordo do teto. Essa posição é idêntica à do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que considera prioritário o reajuste do mínimo. ‘‘A posição do meu partido é: primeiro discute-se o salário mínimo, que tem de ser o máximo possível, e só depois se discute o teto’’, disse Temer. O deputado recusou-se a sugerir, desta vez, um valor para o limite dos vencimentos do funcionalismo. Temer sempre defendeu um teto para os servidores de R$ 12.720,00.