O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, voltou a defender ontem a necessidade de se criar um mecanismo internacional que garanta menos ‘‘volatividade’’ e mais ‘‘viscosidade’’ aos capitais especulativos que entram nos países. ‘‘É necessário ter um sistema de alarme, uma luz amarela, que mostre quando esses capitais começam a se tornar muito voláteis. Não podemos ser derrubados por uma maré ou fluxo mais rápido de investimentos que não têm raízes.’, afirmou FHC, ao discursar na inauguração da fábrica de painéis de madeira e aglomerados Tafisa do Brasil, no município de Piên (Região Sul).
FHC elogiou a decisão dos países que compõem o G7 que começam a definir mecanismos que impeçam que os grupos especulativos provoquem crises econômicas em determinados países. O presidente lembrou que desde de 1995 defendia a tese de que haveria necessidade de os países se precaverem contra o capital especulativo. ‘‘Sugeria medidas para evitar que os capitais sem raízes voassem e ao voar assustassem os que tem raiz’’, disse o presidente. Com as sucessivas crises asiática, russa e brasileira, começou a haver o entendimento do G7 em estabelecer um controle.
As declarações do presidente não significam que ele se oponha aos investidores financeiros e ao mercado de capitais, que circula pelas bolsas de valores de todo o mundo. ‘‘Não quer dizer que se propõe uma arquitetura financeira que impeça o fluxo de capital, que é essencial. Nada que se oponha aos mercados globais, mas as nações não podem se comportar apenas em função dos ditames dos mercados’’, ressaltou FHC.
Ao condenar a volatividade dos capitais dos especuladores, o presidente fez um forte elogio aos empresários que decidiram investir no País. Em especial, ele citou os investimentos portugueses no Brasil. ‘‘Os empreendedores portugueses reafirmam a confiança no Brasil. Eles estão alinhados para investir. É assim que se responde às dificuldades, dando sementes para o crescimento’’, declarou.
As palavras de Fernando Henrique Cardoso encontraram eco no discurso do presidente mundial do grupo Sonae - controlador da Tafisa - , Belmiro Azevedo, e nas declarações do ministro da Economia de Portugal, Joaquim Pina Moura. Os dois ressaltaram a importância de Portugal entrar no Brasil com capital sólido e não para especulação. ‘‘Quem investe a longo prazo não é como o especulador. Tem que se criar barreiras para os fluxos financeiros’’, afirmou o diretor mundial da Sonae.
Fernando Henrique Cardoso elogiou a vinda dos investimentos industriais portugueses com uma bem humorada declaração: ‘‘Os portugueses chegaram aqui de caravelas e hoje chegam blindados com o mesmo entusiasmo e mesmo espírito de aventura, como seus ancestrais’’.

mockup