Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso vai sancionar sem vetos o projeto de lei que corrige em 17,5% a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). É uma decisão política, de acordo com o ministro do Planejamento, Martus Tavares.
Sabe-se que o presidente tem informação de que, se vetar a proposta, o Congresso rejeitará o veto. Nesse caso, ao sancionar a lei, em vez de desgaste, Fernando Henrique divide com o Congresso a simpatia da classe média, a maior afetada no período, de seis anos, em que a tabela do IRPF ficou sem correção.
Martus explicou que o governo não sabe ainda como compensará essa nova despesa de R$ 1,8 bilhão nas contas públicas, ocasionada pela perda na arrecadação, e nem como será feito o ajuste desta conta à Lei de Responsabilidade Fiscal. ''Não digo a maneira (como será concedido o reajuste da tabela)'', declarou o ministro. ''O presidente deve confirmar isso (sanção do projeto), mas como compatibilizar essa despesa com a Lei Fiscal é outra coisa.'' Martus acrescentou que deve haver uma compensação porque não pode haver ''despesa sem a receita correspondente''.
O governo chegou a trabalhar com a hipótese de vetar o projeto e ao mesmo tempo editar uma medida provisória corrigindo a tabela nos 17,5%, mas incluindo a fonte de recursos que seria proveniente de cortes. O ministro, no entanto, não quis confirmar esta possibilidade.

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