O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o governo irá ‘‘apertar o cinto’’ e pode tomar ‘‘medidas drásticas’’ no corte das finanças públicas mesmo que desagradem a interesses políticos e corporativistas. Em discurso na solenidade de assinatura de contrato de telefonia fixa pela empresa canadense Cambra Telefônica, Fernando Henrique disse que o governo não permitirá que o impacto da desvalorização do real reacenda a cadeia inflacionária. Na sua opinião, esse repasse só se justifica uma única vez, em razão desta desvalorização.
O presidente voltou a criticar os ‘‘fracassômanos’’ que acreditam que as eventuais turbulências podem desanimá-lo. ‘‘Quando alguma coisa mais complicada ocorre, os fracassômanos imediatamente vêem o presidente triste, perturbado, desanimado’’, disse. ‘‘Doce ilusão. Eu não sou dos que se desanimam, nem dos que se deixam vencer pelo que chamo de fracassomania ou pessimismo.’’
Fernando Henrique também referiu-se ao governador Itamar Franco (PMDB), que tem criticado a condução da política econômica. ‘‘Quando era presidente o doutor Itamar Franco, eu assumi um País em situação muito precária e trabalhei muito para que ele voltasse a ser um País promissor’’, disse o presidente, em uma referência à sua nomeação como ministro da Fazenda. Disse que, na época, pediu ao Congresso que cortasse, pela metade, o orçamento da União. Agora, como presidente voltou a propor novo corte das contas públicas. ‘‘Não tenham dúvidas: a execução será estrita’’, avisou.

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