FHC promete R$ 14,7 bi para a agricultura na safra 2001/2002
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terça-feira, 03 de julho de 2001
Agência Folha 
O governo tentará, mais uma vez, elevar a safra agrícola ao volume recorde de 100 milhões de toneladas de grãos. Há dois anos, o mesmo objetivo chegou a ser anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas a colheita ficou abaixo disso. Ontem, FHC disse que o governo colocará à disposição dos agricultores, para financiar a safra de 2001/2002, um total de R$ 14,7 bilhões. Com a reaplicação dos recursos, o volume poderá chegar a R$ 16,6 bilhões.
Se o dinheiro chegar de fato às mãos dos agricultores, haverá um aumento de 18% em relação aos recursos aplicados na safra passada, que somaram R$ 12,5 bilhões. Em 2000/2001, o governo aplicou 10% a mais de recursos do que anunciou, mas nos anos anteriores o volume efetivo de empréstimos ficou bem abaixo do prometido. Na safra 1999/2000, por exemplo, o governo anunciou que iria destinar R$ 13,1 bilhões para o financiamento da safra agrícola, mas foram efetivamente aplicados apenas R$ 8,3 bilhões.
Desta vez, o governo tem pelo menos dois fatores favoráveis para atingir a meta recorde: a produção de grãos na última safra já foi muito próxima de 100 milhões de toneladas e há mais recursos disponíveis para a agricultura.
Segundo o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, a previsão da safra deste ano foi revista para 97,4 milhões de toneladas um acréscimo de 17,3% em relação a 1999/2000.
Os recursos para os financiamentos também aumentaram. A fonte mais importante é o dinheiro que os clientes deixam em contas correntes. Os bancos estão obrigados a emprestar para a agricultura 25% desses depósitos.
Desde fins de 1999, os correntistas estão deixando mais recursos parados em conta corrente. Só nos cinco primeiros meses deste ano houve crescimento de 27%. Neste ano, essa fonte de recursos permitirá emprestar R$ 6,5 bilhões aos agricultores, contra R$ 3,5 bilhões programados pelo governo na última safra.
Há dois desafios para que a produção recorde seja atingida: queda nos preços dos grãos e clima. Normalmente, há alternância de anos com superprodução, que provocam queda de preços, com anos com menor produção. É que parte dos agricultores que perdem dinheiro em um ano plantam menos no ano seguinte.
Pratini disse que o governo anunciará mecanismos de preservação de preços durante a colheita, mas os agricultores reivindicam que as medidas sejam anunciadas já, quando é tomada a decisão de plantar ou não.
Segundo o presidente, cerca de 80% desses recursos serão financiados a juros fixos de 8,75%. Houve um entrosamento grande entre o ministro Pratini e as áreas econômicas. O Brasil inteiro se lembra das dificuldades que havia para o financiamento da agricultura, os juros não eram fixos, as taxas de juros eram muito elevadas, havia reclamações generalizadas, afirmou FHC.
Ele disse que o peso da pecuária é crescente na economia e anunciou que o nome da pasta chefiada por Pratini deverá mudar para Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


