FHC promete juro menor a empresários
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sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
do Rio de Janeiro
Em discurso improvisado no Porto de Sepetiba, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que para o País poder enfrentar o desafio da competição internacional é necessário que o governo tome decisões necessárias para reconstruir nossas indústrias e permitir que aqueles que trabalham no Brasil, brasileiros ou estrangeiros, tenham condições, sobretudo nos juros, de competir lá fora. Fernando Henrique acenou com a promessa de incentivos e redução de juros. Ele repetiu duas vezes a expressão sobretudo nos juros. E idealizou o novo Estado brasileiro como aquele que potencializa a utilização dos recursos privados no bem público.
O discurso provocou aplausos efusivos de empresários, como Olacyr de Moraes, proprietário do grupo Itamaraty, e Eduardo Eugênio Gouvêia Vieira, presidente da Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre outros, que foram a Sepetiba receber o presidente. Fernando Henrique saudou a ampliação e a modernização do Porto de Sepetiba, que, segundo afirmou, acarretará o aumento da nossa exportação, permitindo que se agregue mais valor àquilo que se vai exportar.
Durante o discurso, Fernando Henrique destacou que os investimentos estrangeiros não serão discriminados. Ao Estado, segundo ele, caberá as funções de planejamento, fiscalização, cobrança de bons desempenhos e salvaguarda do interesse coletivo.
De acordo com Fernando Henrique, o Brasil, que aceitou o desafio da competição internacional, vai requerer mais e mais do governo. O presidente ressaltou que é preciso que o governo também saiba apoiar aqueles que estão trabalhando por este desenvolvimento. Fernando Henrique agradeceu publicamente os ministros do Planejamento, Antônio Kandir; dos Transportes, Alcides Saldanha; da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, e ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ao mesmo tempo que abrimos a economia, tomamos decisões necessárias para reconstruir as nossas indústrias.
Fernando Henrique afirmou que Sepetiba representa não apenas para o Rio de Janeiro, mas para o Brasil, um marco importante, razão pela qual o governo federal colocou essa obra no Programa Brasil em Ação, em que foram selecionadas 42 realizações fundamentais para o desenvolvimento sócio-econômico do País. De acordo com o presidente da República, além do escoamento da produção do Sudeste e do Centro-Oeste, o porto vai permitir maior integração social, com a criação de empregos diretos e indiretos, melhoria na educação, saúde pública, e mais desenvolvimento que contemple a dimensão dos recursos naturais e do meio ambiente.
O presidente também destacou a necessidade de se reeducar e retreinar a mão-de-obra no País. Quando um país se transforma, como o Brasil está se transformando, há um deslocamento de indústrias, serviços e pessoas. Para Fernando Henrique, essas pessoas muitas vezes têm que ser retreinadas para que, perdendo o posto de trabalho, numa certa função, possam encontrar outro posto em outra função que agregue mais valor e, por consequência, possa pagar salários maiores. O presidente afirmou que as Docas, antes uma companhia inchada e com pouca produtividade, passará a ser uma companhia enxuta. Mas não às custas do suor dos que foram expulsos das docas, mas pela inteligência da nova autoridade portuária que realocou essa mão-de-obra.


