O governo decidiu antecipar em cinco dias o anúncio das medidas de racionamento de energia elétrica nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do País. O plano será anunciado na próxima sexta-feira. Ao instalar ontem a Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a crise energética o pegou de ‘‘surpresa’’, admitiu que ela resulta também da falta de investimentos no setor e baixou uma lei da mordaça, para evitar informações desencontradas.
Antes mesmo do anúncio, Fernando Henrique resolveu cortar o consumo de energia elétrica no próprio setor público. As atividades no funcionalismo federal serão encerradas às 17h – uma hora antes do expediente normal –, exceto nos gabinetes dos ministros e secretários dos ministérios. O presidente também fixou metas de redução de 15% nos gastos com eletricidade nos órgãos federais em maio, comparado com os do mesmo mês de 2000. Em junho, esse porcentual será de 25%, e em julho, de 35%. Para bancos e empresas estatais, essa medida será mais profunda – 10% acima dos concorrentes.
Para a sociedade, em geral, não existem ainda medidas pontuais definidas. O próprio presidente disse que tudo o que foi dito até o momento sobre cortes de energia são meras especulações e hipóteses. O ministro Pedro Parente, encarregado de conduzir a CGCE, indicou algumas diretrizes: 1) O racionamento – por cota ou por cortes – começará mesmo a partir de 1º de junho; 2) Não haverá cobrança de multa para quem consumir acima de uma cota fixada pelo governo; 3) Está previsto o pagamento de um bônus aos consumidores que reduzirem seus gastos com energia.

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