O presidente Fernando Henrique Cardoso disse acreditar que o Brasil, ao contrário das previsões, poderá ter crescimento econômico em 1999. Ele declarou que não se ‘‘conforma’’ com as estimativas apontando para uma retração prolongada. FHC disse esperar uma retomada do crescimento ‘‘o mais rápido possível’’.
Em entrevista veiculada ontem pela rádio Gaúcha, de Porto Alegre, o presidente disse que será feito ‘‘um esforço grande, concentrado, para nesses próximos seis meses nós desanuviarmos o Brasil e termos um crescimento razoável daí para frente’’.
FHC afirmou que o Brasil não vai se deteriorar como alguns países asiáticos atingidos pela crise. ‘‘Não vamos deixar que o Brasil se desorganize’’ e fique ‘‘anos a fio sem condições de voltar a crescer’’. O presidente disse que o governo conta com o apoio do futuro Congresso para aprovar as reformas.
Segundo ele, a Previdência consome R$ 20 bilhões no pagamento de benefícios e aposentadorias e gera uma receita de apenas R$ 2 bilhões. Referindo-se à CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), disse que o imposto só deve vigorar ‘‘enquanto não for aprovada a reforma tributária’’. Ao defender a reforma, declarou que o governo cansou de medidas paliativas, que classificou de ‘‘tapa-buraco’’.
Ele afirmou que é contra o aumento do Imposto de Renda. ‘‘Não quero que haja aumento. Nós tivemos uma alíquota levemente aumentada. Pode ficar como estᒒ. Fernando Henrique Cardoso disse que os cortes de gastos do governo ‘‘não podem recair sobre as áreas mais pobres’’ da população. ‘‘Hoje, até há uma compreensão internacional (de que as áreas mais pobres não sejam as mais afetadas). Lá fora agora virou moda. Eles querem que corte, mas não querem que afete a população. Ótimo, eu também não quero. Se derem recurso, maravilhoso’’.
Mas o presidente disse, sem especificar, que ‘‘obras importantes’’ terão de ser paralisadas. ‘‘Nesse momento, é melhor postergar e retomá-las com mais força mais adiante’’.
FHC afirmou não ter dúvida de que os poderes Legislativo e Judiciário também cortarão gastos. Ele considerou ‘‘muito boa’’ a promessa do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de cortar custos na mesma proporção do Executivo.

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